Inteligência artificial, robôs, automação… Você certamente já sabe que a tecnologia está mudando o mercado de trabalho. Mas se engana quem pensa que as tendências para o futuro estão limitadas a isso. Segundo uma pesquisa do LinkedIn, quatro (outros) fatores estão levando a mudanças profundas na relação entre funcionários e empresas.

O relatório se baseia em uma pesquisa com mais de 5 mil profissionais da área de RH de 35 países, na análise de dados e tendências de uso da rede profissional e em conversas com especialistas e empresas. Os resultados mostram que, mais do que habilidades técnicas ou ferramentas, o futuro das contratações e relações de trabalho está nas pessoas.

1. Soft Skills 
A importância das soft skills (habilidades comportamentais, como empatia, criatividade ou capacidade de colaboração) foi destacada por 91% dos profissionais e especialistas consultados. “À medida que a automação e a inteligência artificial continuam a remodelar setores, empresas e profissões, as fortes habilidades sociais — a única coisa que as máquinas não podem substituir — estão se tornando absolutamente vitais”, diz o relatório.

92% dos profissionais dizem dar tanta importância a essas habilidades quanto às chamadas hard skills (habilidades técnica), enquanto 80% dizem que elas são cada vez mais importantes para o sucesso das empresas. No entanto, até agora, apenas 41% das companhias incluem em seus processos seletivos métodos para mensurá-las.

2. Flexibilidade de trabalho
A possibilidade de trabalhar remotamente ou mudar de horários, antes um privilégio raro, torna-se mais comum e esperada — e foi apontada como essencial por 72% dos entrevistados. “Talvez você não receba atenção especial por oferecer flexibilidade, mas provavelmente se destacará por não tê-la (e não de uma forma boa)”, diz o texto.

Segundo o relatório, as empresas podem se beneficiar tanto quanto os funcionários. A flexibilidade pode aumentar a retenção de talentos e a produtividade, além de economizar com gastos em imóveis — como quando se aposta no home office. Há, ainda, a possiblidade de criar uma força de trabalho mais diversa, com profissionais que têm filhos, problemas de saúde ou que vivem em áreas de difícil acesso.

3. Ambiente e ações antiassédio
A prevenção ao assédio já era uma questão moral ou legal para as empresas, mas ganhou uma nova força com o crescimento de movimentos como o #MeToo. 71% dos profissionais apontaram as ações sobre esse tema como fundamentais, e 80% dizem que suas empresas implementaram ao menos uma medida nessa direção no último ano.

Os resultados mostram, porém, uma lacuna entre o que as empresas fazem e o que é realmente efetivo. Muitas não se dão conta, por exemplo, de que muitas vítimas não denunciam seus casos por não saberem o que acontecerá após a denúncia. Há também uma diferença de opinião entre homens e mulheres sobre o que pode ser positivo em relação a isso.

Entre as táticas mais efetivas apontadas pelo relatório, estão promover meios seguros para denúncias (principalmente online); estabelecer uma política de tolerância zero; promover sessões de treinamento e aumentar a diversidade de gênero nas lideranças.

4. Transparência salarial
O tempo em que os salários eram secretos e os funcionários evitavam falar sobre o assunto parece ter ficado para trás. A transparência foi destacada por 53% dos profissionais e tem sido cobrada das empresas, entre outros fatores, pela popularização de sites que agregam informações sobre vagas e salários.

Embora apenas 27% dos profissionais da pesquisa afirmem trabalhar em uma empresa que compartilha essa informação, o grupo indicou alguns benefícios dessa prática. Ela pode agilizar as negociações, garantir pagamentos justos, filtrar candidatos propensos a declinar a vaga e permitir que uma entrevista de emprego se concentre em outros pontos. Dentre todas as vantagens, segundo o relatório, a garantia de salários mais justos tem se mostrado a mais significativa — colaborando para se obter a confiança dos empregados, por exemplo.

Fonte: Época Negócios

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