Para os empresários brasileiros, a educação é o fator que mais influencia a competitividade das suas empresas. Sem profissionais qualificados, a elevação da produtividade de uma empresa se torna muito limitada.

Para corroborar essas afirmações, pesquisa realizada em 2016 pela empresa ManpowerGroup mostra que mais de 40% dos empregadores encontram dificuldades para contratar profissionais com a qualificação necessária para atender às suas necessidades, no Brasil.

No caso específico da educação técnica de nível médio, o Brasil possui apenas 1,8 milhão de matrículas, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica.

Além da pouca quantidade, a baixa qualificação e o desinteresse dos jovens pelas carreiras técnicas, estabelece um ambiente de enorme carência que tem criado muitos problemas para as empresas.

Em países desenvolvidos como a Finlândia (69,7%), a Alemanha (51,5%), e a França (44,3%), por exemplo, a maioria dos jovens opta pelo ensino técnico para iniciar sua carreira profissional.

A meta 11 do Plano Nacional de Educação – PNE prevê “triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% da expansão no segmento público”, até 2024. Esse esforço busca diminuir distorções estabelecidas no País, referentes ao ensino técnico.

Indo ao encontro da meta prevista no PNE, o Mapa do Trabalho Industrial 2017 – 2020, elaborado pelo Senai, afirma que até o ano de 2020 o Brasil deverá qualificar mais de 13 (treze) milhões de pessoas para trabalhar em ocupações industriais. Pouco mais de 1 milhão e oitocentos mil desses profissionais deverão ser técnicos de nível médio, boa parte deles na área de Tecnologia da Informação.

Em um momento de grave desemprego, é necessário mostrar aos jovens que a formação de técnico de nível médio é uma boa opção profissional e que sua valorização é cada vez mais significativa e o caminho mais curto para a sua inserção no mercado de trabalho. Quem sabe as empresas também não possam dar a sua contribuição, valorizando ainda mais esses profissionais nas suas empresas?

O grande desafio do Brasil para se tornar, definitivamente, um país desenvolvido, é vencer seus gargalos educacionais. O distanciamento entre as escolas e a realidade do mundo empresarial terá que ser vencido sob pena do afastamento do País em relação às economias desenvolvidas se ampliar.

Levando em consideração (i) o exponencial ritmo de produção do conhecimento, (ii) a contínua evolução tecnológica e (iii) a constante necessidade de adequação dos ambientes de produção, as escolas terão muitas dificuldades para acompanhar a velocidade dessas mudanças.

O caminho para a superação dessas dificuldades é a aproximação entre as escolas e as empresas. Mantê-las conectadas para o fortalecimento de um processo de realimentação que garanta o aprendizado contínuo dos profissionais é a fórmula correta e adequada.

Fora esse caminho, as escolas não conseguirão acompanhar a dramática evolução tecnológica do mundo empresarial, e as empresas continuarão a reclamar por não conseguirem profissionais qualificados para melhorar seus desempenhos.

No mundo das transformações radicais, o Brasil precisa se preocupar em preparar os jovens para o mundo do trabalho:

  • Adotando novas tecnologias no processo educacional e incorporando métodos de ensino voltados ao trabalho – em parte descritas neste Projeto Político Pedagógico;
  • Formando adequadamente os professores e;
  • Estimulando as habilidades não cognitivas do aluno, futuro profissional.

Essas ações possibilitarão que as empresas, partícipes desse novo modelode educação, obtenham o que buscam e, segundo suas respostas nas pesquisas que realizam, não encontram: a elevação da escolaridade dos trabalhadores e a consequente melhoria da produtividade.

A sobrevivência de uma empresa dependerá da ampliação da sua produtividade e isso ocorrerá, dentre outras ações, a partir da adoção de tecnologias de automação e robótica.

Nos ambientes fabris onde atualmente trabalham pessoas realizando tarefas repetitivas, muitos sistemas automatizados e robôs as substituirão.

A automação incorpora novas tecnologias nos processos produtivos que modificarão as formas de produção dos telefones celulares, motocicletas, televisores, condicionadores de ar e computadores, exigindo o desenvolvimento de novas competências e habilidades.

Cidade eminentemente industrial, Manaus abriga, em sua grande maioria, empresas multinacionais que manufaturam produtos intensivos em tecnologia, utilizando tecnologia embarcada (microprocessadores instalados internamente em determinados produtos, para realizar tarefas especificas).

No Polo Industrial de Manaus, os segmentos de eletroeletrônicos, manufatura industrial e transporte e logística deverão passar por um enorme processo de digitização, nos próximos 5 (cinco) anos. Esses segmentos possuem expressiva atuação em Manaus e deverão utilizar profissionais com novos perfis para dar suporte às mudanças que as indústrias estarão submetidas.

Além desses segmentos, o Amazonas também é repositório de reservas de petróleo e gás, possuindo grandes plantas fabris de exploração e produção em Urucu e em Manaus. Intensivas em processos automatizados, essas atividades devem demandar profissionais para dar sustentação aos seus planos de expansão.

Seguem na esteira dessa evolução, as empresas de manutenção e de reparos, o segmento metalmecânico e de plástico, os laboratórios de controle de qualidade e as integradoras de sistemas de automação industrial.

A formação de recursos humanos é um caminho inexorável para atender a crescente demanda de profissionais que sustentarão as transformações mencionadas e pilar importante no processo de consolidar as indústrias na região.

No próximo artigo, seguiremos discutindo esses assuntos e as formas possíveis de integração entre as escolas e o mundo corporativo.

Niomar Pimenta
Graduado em Engenharia de Telecomunicações pelo Instituto Nacional de Telecomunicações (1978), possui mestrado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Paraíba (1992) e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005). Colaborador da Fucapi, na área de Educação, por 33 anos e professor do curso de Engenharia Elétrica da Ufam, por 37 anos. Atualmente, atua no projeto Academy da FPF Tech e do INDT.

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