Enquanto não houver uma política pública específica para elevar a condição da mulher negra no mercado de trabalho formal, ela continuará em posição desigual, de maior vulnerabilidade ou excluída.

Essa é a conclusão de um estudo premiado na última semana e que partiu da cabeça de um jovem santista. Alexandre José Moura, de 24 anos, aluno do curso de Economia da Strong Esags de Santo André, conseguiu o 2º lugar no Prêmio Corecon-SP de Excelência em Economia, que tem como objetivo premiar os autores dos três melhores trabalhos de graduação em Economia do Estado.
O tema de sua monografia: A posição da Mulher Negra no Mercado de Trabalho Brasileiro no Período 1980-2015.

Escrever sobre desemprego em um curso de Economia? Sim. Segundo Alexandre, ele sempre soube que queria escrever sobre economia do trabalho. “A época de decidir pelo tema da monografia coincidiu com o período do aumento do desemprego no país e com a discussão sobre a Reforma Trabalhista. Li muito sobre a situação precarizada do mercado de trabalho e fui a algumas palestras de economia e de outras áreas sobre o passado do país, a sua formação e a situação presente da economia brasileira. Daí surgiu a curiosidade em saber onde estava a mulher negra nesse contexto.”

“Apesar da melhoria alcançada nos anos deste estudo, a trabalhadora negra continua recebendo a menor remuneração em comparação ao homem negro, à mulher branca e ao homem branco, sendo maioria na faixa de renda de até um salário mínimo. O mercado de trabalho reforça a estrutura discrimi-natória e marginalizante que atinge a mulher negra desde o começo da formação deste país”, diz o texto da monografia.

Cruzando dados de institutos de pesquisa oficiais, Alexandre mostra que, ainda hoje, a mulher negra compõe a maior concentração na faixa salarial de até um salário mínimo, chegando a 80%, em alguns anos.

Desemprego

Ainda na análise de Alexandre, as mulheres negras são atingidas mais cedo e com maior intensidade pelo desemprego. “A taxa chega a ser o dobro da da mulher branca na mesma situação.”

Recorrendo sempre a dados oficiais, Alexandre mostra que, mesmo nos anos de economia mais estável e maior oferta de empregos, a condição da mulher negra permaneceu desigual.

Discriminação

Segundo o estudante, a explicação para essa diferença reside na discriminação, que a leva a ocupar vagas de menor remuneração e menos qualificadas.

Alexandre defende que a correção dessas distorções só se dará com uma política pública voltada a esse público. “Quando falamos em educação e capacitação, não podemos esquecer a condição histórica do negro, desde a abolição. Ele não está plenamente inserido. Sua condição é desigual ainda, e a da mulher negra, muito mais.”

Agora economista formado, o jovem pretende continuar seus estudos nessa área, aprofundando as pesquisas. “É um campo muito farto e ainda com muitas questões em aberto.”

Fonte: A Tribuna

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