O reconhecimento, por parte das empresas e da administração pública, da Libras como uma língua é um dos principais desafios enfrentados pela população surda para sua efetiva inclusão no mercado de trabalho. Esse foi um dos pontos abordados pelos palestrantes do Congresso Estadual dos Trabalhadores Surdos, realizado na última sexta-feira, 16, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

O evento, organizado pela Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira e pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Alesc, reuniu mais de 120 pessoas e marcou os 64 anos da Associação de Surdos da Grande Florianópolis (ASGF). O acesso ao emprego, a permanência, a saúde e a segurança no mercado de trabalho também foram abordados pelos palestrantes.

Conforme os participantes, o surdo enfrenta muitos preconceitos para se inserir no mercado de trabalho. A advogada Luciellen Lima Goulart, da Comissão de Acessibilidade da OAB de Tubarão, comentou que, apesar dos avanços na legislação, as empresas e o poder público são muito resistentes em contratar pessoas com deficiência, principalmente os surdos.

“Para o empregador é mais barato adaptar seu ambiente de trabalho para um cadeirante do que para um surdo”, disse. “Além disso, há muito preconceito. Pessoas surdas com graduação e especialização são contratadas para funções de menor qualificação. Por causa da barreira da comunicação, pessoas altamente capacitadas são taxadas como burras.”

Ela defende que o mercado de trabalho reconheça a Libras como uma língua e a insira no ambiente laboral, com a contratação de intérpretes e seu ensino para os demais trabalhadores. A mesma opinião tem a presidente da Associação Lagunense de Pais e Amigos Surdos (Alpas), Crisiane Bez Bacci. Na palestra, ela mostrou que só 1% dos surdos que trabalham tem carteira assinada.

“Sobram vagas para pessoas com deficiência e elas não são ocupadas porque não há preparação do ambiente de trabalho para essas pessoas, em especial com os surdos”, afirma. “A barreira comunicacional ainda é a maior dificuldade para os surdos”, completou.

O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, deputado Dr. Vicente Caropreso (PSDB), foi representado pela assessora da comissão, Janice Krasniak. Segundo ela, o congresso é importante na discussão da inserção dos surdos no mercado de trabalho. “O Parlamento está junto com a comunidade surda, interagindo na elaboração de políticas em prol da educação dos surdos em Santa Catarina”, disse.

A presidente da ASGF, Sandra Lucia Amorim, reconheceu que houve avanços na legislação e nos esforços por parte do poder público e de parceiros da sociedade civil em prol dessa inclusão dos surdos. No entanto, ainda é preciso avançar para colocar em prática os direitos e deveres previstos em lei. “A população surda precisa ter visibilidade”, resumiu.

A diretora de Políticas de Educação Bilíngue de Surdos da Secretaria de Modalidades Especializadas de Educação do Ministério da Educação, Karin Lilian Strobel, participou da abertura do congresso, que também contou com representantes da Secretaria de Estado da Educação, Conselho Municipal de Educação de Florianópolis, Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas para a Pessoa com Deficiência, Ministério Público do Trabalho, entre outros órgãos e entidades.

Fonte: Revista W3

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