Estudo mostra que egressos das estaduais têm salários 62% maiores

Só com os cursos de graduação, a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) dão retorno em termos de aumento do produto social de 2,78% ao ano para cada real de recurso público investido. Os resultados estão em estudo inédito elaborado com base na análise de salários, feito por Carlos Azzoni, Moisés Vassallo e Eduardo Haddad, economistas das três instituições de ensino.

Na economia, a análise de salários é uma das formas de se medir produtividade. A lógica parte do princípio de que o retorno que o trabalhador traz para seu empregador deve ser pelo menos igual a sua remuneração. Deste modo, é possível examinar o desempenho de profissionais formados em diferentes instituições e relacionar sua performance com o montante investido para sua capacitação.

Na pesquisa, os cálculos de produtividade foram baseados nos dados mais recentes (2018) da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, que agrega informações sobre os trabalhadores formais no País — como empregados sob regime CLT.

Primeiro foram observados os salários dos 138 mil formados pela USP, Unicamp e Unesp de 2005 a 2015, que constam na Rais (de um total de 180 mil egressos no mesmo período). Depois, os pesquisadores compararam esses dados com os 13 milhões de profissionais com nível superior universitário diplomados em outras instituições do Brasil.

Os resultados revelam que, em 2018, a média da produtividade (ou seja, a média salarial) dos egressos das universidades públicas paulistas foi 62% maior que a média de todos os trabalhadores formados em outras instituições. Se considerados fatores como idade, gênero, estado de atuação, tipo e setor de atividade e posição de trabalho — para comparar profissionais no mesmo nível de carreira e faixas salariais compatíveis –, a produtividade é em média 24% superior no conjunto de todos os trabalhadores e 30% maior na comparação com os que atuam no setor privado. Na prática, no ano analisado, cada egresso das três universidades teve um acréscimo de produtividade anual médio de R$ 27,8 mil em relação aos demais trabalhadores com nível superior.

Considerando que a vida profissional se estende por, em média, 40 anos, e multiplicando-se o acréscimo de produtividade anual pelos cerca de 16 mil formados na graduação das três universidades públicas paulistas a cada ano, os pesquisadores concluíram que a produtividade dos egressos da USP, Unesp e Unicamp (R$ 12,6 bilhões) é 14,5% maior do que os R$ 10,1 bilhões que representam a soma do orçamento das três instituições.

Vale lembrar: o montante governamental destinado às universidades estaduais paulistas (9,57% do total arrecadado pelo ICMS) dá conta de todas as atividades das universidades ligadas a ensino, pesquisa e extensão. Isso significa que também entraram na conta de gastos com formação de alunos de graduação os dispêndios com, por exemplo, hospitais universitários e museus. Deste modo, chega-se à alíquota de retorno de 2,8% ano.

Coordenador do estudo, Carlos Azzoni, pesquisador da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA/USP), enfatiza que os resultados se contrapõem à “ideia de que as universidades não geram produto nenhum, e que só geram custos para os cofres públicos”, usada como justificativa para propostas de corte de orçamento destas instituições.

Fonte: Correio

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