É de bicicleta que Gillian Tans vai trabalhar. Todo dia, a CEO do Booking pedala até o escritório da empresa, na cidade de Amsterdã. O perfil discreto da mulher de 48 anos que visita 20 países por ano pode não parecer condizente com seu patrimônio líquido de US$ 40 milhões. Mas o estilo de trabalho da executiva vem dando certo.

Sob a liderança de Gillian, o Booking saltou de uma pequena startup para gigante do setor de viagem e turismo, com operações em mais de 224 países e territórios. A companhia tem 23 anos e 17 deles contaram com a presença de Gillian – com passagens em quase todas as áreas e, desde 2016, como CEO.

Diversidade
Quando assumiu o cargo, a mãe de três filhos fez da diversidade sua principal bandeira. “O número mulheres em cargos de liderança em empresas de tecnologia da informação está diminuindo em vez de aumentando”, diz, em entrevista ao site Your Story, em maio. Para tentar mudar o cenário, Gillian tem promovido ações dentro da companhia para inserir mulheres em cargos ligados diretamente a tecnologia.

Num esforço para aumentar esse tipo de oportunidade para elas, o Booking criou um “fundo” de € 500 mil em bolsas de estudo para alunas de ciências da computação, engenharia e outros cursos relacionados. Gillian acredita que a tecnologia vai impulsionar mudanças sociais e econômicas – e que o futuro vai ser ainda mais desigual se as mulheres seguirem pouco representadas nesse meio.

“É um problema verdadeiro do futuro. Precisamos nos preocupar”, afirma. Segundo a CEO, o Booking conta com 20% de mulheres em seu time de tecnologia. “Trabalhamos para essa parcela crescer ano a ano. É um processo que exige muito esforço.”

No cenário global, Gillian estende sua preocupação e alerta: o número de empreendedoras e altas executivas precisa aumentar urgentemente. “Essa lacuna faz com que mulheres pensem que a tecnologia não é uma carreira pra elas. Por isso me esforço tanto em incentivá-las. Às vezes, eu mesma preciso me empurrar”, diz.

Ambição e inovação
Gillian conta que entrou na companhia em um momento de mercado em que poucos hotéis usavam tecnologia e internet para vender mais. Nesse momento, viu uma oportunidade de expansão das empresas para o mundo online. “É importante criar metas ambiciosas. Se define um objetivo, você se pressionará para chegar lá. As pessoas querem trabalhar por um sonho”, afirma.

No campo da inovação, a empresa tem feito altos investimentos no campo de inteligência artificial e machine learning. O objetivo é personalizar o processo de compra para o usuário – mais de 1,5 milhões de acomodações são reservadas por dia no Booking.

O segredo, segundo a CEO, é balancear o uso das novas ferramentas com um toque humano. Por isso, a empresa trabalha para lançar um novo produto além das tradicionais acomodações: a empresa venderá “experiências”, viagens personalizadas com base na análise de dados oferecidos pelos clientes.

Além disso, a proposta é que recomendações e rankings fiquem ainda mais precisos com o uso de inteligência artificial. “Somos uma empresa de tecnologia cujo produto é viagem. IA e machine learning estão no nosso DNA.”

Fonte: Época

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