Indústria espera retomar atividades no dia 13 de abril e recuperar atraso em duas semanas; por enquanto, compras não foram canceladas

Os 21 dias de paralisação das atividades na fábrica da Scania, em São Bernardo do Campo (SP), vão impedir que 300 novos veículos sejam entregues ao mercado. A informação é do vice-presidente de operações comerciais da empresa no Brasil, Roberto Barral. A indústria parou no dia 23 de março e a retomada dos trabalhos está prevista para o próximo dia 13 de abril, se não houver prorrogação do período de isolamento decretado pelo governo. “Se tudo caminhar normalmente e voltarmos no dia 13, essa recuperação ocorre em duas semanas. Mas no momento é difícil ter certeza de que voltaremos nesta data”, diz Barral.

Por enquanto, a empresa não teve cancelamento nos pedidos de compra, segundo Barral. O que está havendo é uma postergação das entregas e também migração de financiamentos por quem já havia feito pedidos de compra. Barral explica que esse movimento se deve às mudanças no cenário macroeconômico, que interferem nas taxas de juros dos financiamentos. “Alguns contratos fechados com CDC (Crédito Direto ao Consumidor) estão mudando para o Finame, que é atrelado à Selic”, diz.

No início deste ano, a Scania previa alta de até 15% nas vendas de caminhões, ônibus e serviços em 2020. Mesmo com a mudança drástica do cenário, Barral diz que está difícil fazer qualquer projeção no momento e que a empresa tem trabalhado como todas, “fechando a torneira. A crise é para todo mundo, mas temos uma saúde financeira grande e não demitimos ninguém”, diz.

A unidade brasileira da empresa produz anualmente 30 mil veículos e 5 mil motores, comercializados tanto no mercado interno como para exportação.

Movimentação na estrada

Com uma frota de 30 mil veículos conectados no Brasil e que geram informações em tempo real a uma central, a Scania tem observado uma queda de 20% a 30% na movimentação em alguns segmentos, como é o caso da construção civil e no transporte de automóveis. O setor do agronegócio e o de transporte de alimentos, porém, segue a todo vapor, conta o executivo.

“O agro mantém a boa demanda por transporte, porque a China voltou a comprar agora e também porque as pessoas continuam se alimentando”, Roberto Barral, presidente da Scania no Brasil.

“O agro mantém a boa demanda por transporte, porque a China voltou a comprar agora e também porque as pessoas continuam se alimentando”, destaca.

Lições da covid-19

Com a crise provocada pela epidemia do novo coronavírus, está havendo muito aprendizado, diz Barral. Segundo o executivo, o manual de procedimentos da empresa ficou muito mais rigoroso, principalmente em relação ao atendimento dos clientes na rede de 150 concessionárias espalhadas pelo Brasil – 35% delas estão abertas normalmente e o restante trabalha com atendimento parcial (serviços emergenciais e com agendamento).

Em todos os pontos, os funcionários passaram a adotar um processo de higienização dos veículos antes e depois do atendimento. “É feita uma higienização antes de o mecânico pôr as mãos no veículo e depois, também, quando for feita a entrega ao motorista. Muitos desses procedimentos, que não existiam com tanto rigor, serão incorporados à rotina a partir de agora”, afirma.

Abaixo, como tem sido o procedimento de atendimento a motoristas nas concessionárias:

• Agendamentos de serviços para evitar aglomerações nas concessionárias
• Recepção de veículos: reservando locais específicos, higienização do mecânico, procedimento de higienização do motorista (em local fora da oficina).
• Ao chegar ao local, o técnico coloca máscara, desinfeta as mãos com álcool gel e depois entrega outra máscara ao motorista.
• Caso entre na cabine, técnico usará máscara, luvas e aplicará desinfetante e/ou álcool gel nas superfícies. Esperar 15 minutos.
• Limpeza intensa dos locais de maior frequência de uso do motorista: maçanetas, painel, volante, grade frontal, chaves.
• Para o serviço, forrando volante, banco e assoalho com capas descartáveis.
• Refazendo todo o processo de higienização do veículo antes da entrega ao cliente.
• Mantendo distância entre os motoristas nas áreas de atendimento e espera.
• Disponibilidade de álcool gel no ponto
• Recomendações severas de higiene nas instalações dos clientes e atendimentos remotos (nas operações fora de estrada, por exemplo, mineração)

Fonte: Globo Rural

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