Diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania Financeira do BC, Maurício Moura. Brasilia, 13-06-2019 Foto: Sérgio Lima/PODER 360

Como parte de suas ações voltadas a aumentar o nível de educação financeira da população brasileira, o BC (Banco Central) pretende inaugurar em 2022 o 1º Museu de Economia da América do Sul.

Pensado para funcionar em formato presencial e virtual, o espaço será construído onde hoje fica o Museu de Valores, na sede da autoridade monetária, em Brasília. O acervo, focado na exposição de moedas, será expandido para abarcar conceitos relevantes ao bolso do cidadão, como endividamento e poupança.

“A ideia é transformar o museu utilizando ferramentas museológicas hoje muito mais modernas, de interação, para tornar a experiência mais agradável e levar educação financeira ao visitante”, disse Mauricio Moura, diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do BC em entrevista ao Poder360.

O Museu de Valores do Banco Central foi inaugurado em 1972 no Rio de Janeiro e transferido para Brasília em 1981Reprodução/Banco Central

Outra inspiração para o BC é o Museu Catavento, na capital paulista, no qual conteúdos de ciências são apresentados por meio de instalações lúdicas. “Quanto mais interativo, mais atingiremos diferentes públicos, incluindo crianças e adolescentes”, disse.

A ideia do BC é mesclar conceitos gerais de economia –como oferta e demanda– a temas de finanças pessoais –como consumo consciente e formação de poupança.“Queremos fazer parceria com a Susep [Superintendência de Seguros Privados] e a CVM [Comissão de Valores Mobiliários] para também inserir conhecimento de mercado de capitais, planejamento previdenciário e securitário.”

Com as mudanças, a autoridade monetária espera ao menos triplicar a quantidade de visitas ao local. “Hoje, recebemos em média 40 mil visitantes por ano. Esperamos chegar a 120 mil. Levando a experiência também para o ambiente virtual, podemos atingir milhões.”

O BC tem R$ 17 milhões reservados para reformular o espaço. Os recursos vêm de edital do Fundo de Defesa de Direitos Difusos, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. O projeto foi aprovado em março e seu orçamento é não contingenciável, ou seja, não pode ser bloqueado.

A educação financeira é 1 dos braços da agenda BC#, apresentada no final de maio pelo novo presidente da instituição, Roberto Campos Neto. Segundo a Serasa, 40% da população adulta brasileira estava com as contas atrasadas em abril. Pesquisa da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostrou que só 8% da população economicamente ativa fez alguma aplicação financeira em 2018.

EDUCAÇÃO FINANCEIRA NAS ESCOLAS

Outro projeto em andamento é o que se propõe a levar educação financeira a todas as escolas públicas de ensino fundamental até 2021. A ação se insere na implementação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que em 2017 incluiu educação financeira como disciplina transversal obrigatória.

Estudo realizado pelo PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), mostrou que em 2015 metade dos alunos do país não tinha conhecimentos básicos de educação financeira. O Brasil ocupava a última posição entre os 15 países analisados.

Em parceria com o CAEd/UFJF (Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora), o BC está desenvolvendo uma plataforma eletrônica que reunirá conteúdo para formação de profissionais de diferentes elos da cadeia educacional, além de material para ser trabalhado em sala de aula.

O conteúdo estará ligado a disciplinas como português, matemática, história, geografia e ciências e a plataforma também deverá permitir o acompanhamento das atividades realizadas.

“Queremos dar ao professor conhecimento, apoio e material de trabalho para que ele tome a iniciativa de inserir a educação financeira nas aulas. Temos que lembrar que esse não é o único tema que entra como matéria transversal na BNCC”, disse Moura.

A plataforma deve ficar pronta neste ano para que em 2020 comece a ser implementado 1 projeto piloto em alguns Estados. A ideia é que em 2021 a proposta esteja rodando em escolas do país inteiro. A partir de 2022, o Ensino Médio começará a ser inserido na iniciativa.

O projeto também conta com recursos obtidos via edital do Fundo de Defesa de Direitos Difusos. Para essa ação, R$ 13 milhões estão reservados.

OUTROS PROJETOS

O BC tem outras 3 ações idealizadas para educação financeira, mas ainda em estágio inicial. Uma delas, a mais comentada por Campos Neto, é a de ações promovidas em parceria com o sistema financeiro. Está em estudo, por exemplo, a concessão de crédito mais barato ou o aumento do score de crédito de clientes que participem, por exemplo, de cursos sobre finanças pessoais.

As “recompensas” seriam definidas pelas próprias instituições e o BC, segundo Moura, trabalharia como “catalisador” das ações. “O sistema financeiro tem que perceber educação financeira como valor para o negócio bancário. Um cliente mais educado financeiramente tende a tomar crédito melhor e pagar melhor”, disse.

Em parceria com instituições financeiras e o SNDC (Sistema Nacional de Defesa do Consumidor), o BC prepara também ações para a população superendividada. Segundo Moura, não há 1 conceito único sobre superendividamento no país, o que dificulta a identificação do tamanho e características desse grupo. O BC então trabalha primeiramente na formalização do conceito, que deve ser apresentado em novembro, no Fórum de Cidadania Financeira.

Há ainda 1 conjunto de medidas voltadas à população de baixa renda, que, em certa medida, está fora do sistema bancário. Essa agenda conversa com outro braço da pauta prioritária, de inclusão, e está sendo desenhada em conjunto com a Caixa e o Ministério da Cidadania.

Fonte: Poder 360

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui