Carlos Mira, fundador da TruckPad, teve a ideia para sua startup a partir da transportadora da família. O aplicativo buscará nas próximas semanas uma nova rodada com investidores

Carlos Mira, da TruckPad (Foto: TruckPad/Divulgação)

Carlos Mira tem 52 anos de idade – e resolveu revirar sua vida profissional do avesso há relativamente pouco tempo. Após 35 anos trabalhando na transportadora da família, Mira juntou suas experiências e fundou sua própria startup em 2013.

A TruckPad, aplicativo que conecta motoristas de caminhão a suas cargas em um modelo similar ao Uber, não teve uma recepção amigável em um ano quando caminhoneiros e smartphones não se conversavam.

Mira colhe os frutos de sua visão de mercado hoje. A TruckPad é uma rede de 12 mil transportadoras e 400 mil caminhoneiros, com 1,2 milhão de downloads em seu aplicativo. Neste mês, a startup obteve um aporte da bilionária chinesa de logística Full Truck Alliance e espera triplicar a quadruplicar sua movimentação de fretes em 2020.

Serão dois bilhões de reais em taxas de entrega mediadas – e, para suportar o crescimento, Mira conversará nas próximas semanas com investidores de capital de risco (venture capital) para uma nova rodada de aportes na TruckPad.

De transportadora para startup

Carlos Mira trabalhou desde adolescente na transportadora da família, a Mira Transportes. Ele foi presidente da transportadora nos últimos 5 anos de seus 35 anos de empresa. Começou a imaginar outro rumo profissional em 2011, quando fez uma visita ao Vale do Silício.

“Conhecia uma empresa chamada Uber e pensei em como adaptá-la ao mundo dos caminhões. Eu vivia a dificuldade de localizar e contratar caminhoneiros para transportar cargas e achava que o smartphone poderia resolver o problema.”

Mira vendeu sua participação na Mira Transportes e decidiu criar a própria startup – a primeira sede foi uma mesa na rede de cafeterias Starbucks. Mas não encontrou suporte. “Pulei do penhasco e fui construindo o avião enquanto caía. Praticamente ninguém me apoiou do setor de transporte ou me sugeriam começar contratando secretária e alugando um escritório com chão de mármore. Então, fui buscar ajuda em aceleradoras e consultorias de inovação.”

A primeira versão do aplicativo da TruckPad surgiu em 2013. O app foca em caminhoneiros que rodam até 200 quilômetros buscando cargas e acabam na mão de agenciadores. Eles cobram comissões em troca da indicação das encomendas e corroem os ganhos dos caminhoneiros. As transportadoras também não conseguem encontrar os motoristas de maneira eficiente, assim como acontecia na Mira Transportes.

Mira fez apresentações curtas para jurados (pitches) em eventos como o Startup Weekend e a Feira do Empreendedor do Sebrae. Além do ceticismo dentro do setor de transporte, encontrou ressalvas aos seus então 45 anos de idade.

“Um jurado falou que eu não precisava ter todo esse trabalho. Respondi que estava no lugar certo, porque tinha uma ideia inovadora”, diz Mira. “A experiência me trouxe um diferencial muito positivo: entendo do setor e valorizo cada centavo que recebo, porque sei quanto custa ganhá-lo. Levantamos capital de acordo com nosso crescimento.”

Investimentos e crescimento

O networking levou Mira ao programa da aceleradora Plug and Play, no Vale do Silício, em 2014. Dois anos depois, participou do programa de aceleração Startup Autobahn, promovido pela fabricante automotiva Mercedes-Benz na Alemanha. Os contatos trouxeram investimentos de empresas como o Grupo Movile (dos aplicativos iFood e Sympla), o provedor de mapas e a própria Mercedes-Benz.

A partir de 2014, a TruckPad começou a escalar. O aplicativo tem hoje uma rede de 12 mil transportadoras e 400 mil caminhoneiros, com 1,2 milhão de downloads em seu aplicativo.

A TruckPad não cobra dos caminhoneiros, que podem ganhar até 50% a mais em suas entregas pela falta de agenciadores. Quem paga são as transportadoras, que contratam fretes pela startup por meio de duas formas: uma assinatura mensal a partir de 79,90 reais ou um percentual de 2,5% a 5% sobre cada encomenda. Outra forma de monetização é um marketplace pelo celular para vender itens de marcas como Mapfre, Mercedes-Benz e Michelin.

O crescimento será ainda mais acelerado a partir deste mês, após o aporte da Full Truck Alliance. O gigante tem uma atuação similar à da TruckPad, conectando 7 milhões de motoristas e 2,5 milhões de expedidores de carga. Está perto de atingir o status de decacórnio (avaliação de mercado de 10 bilhões de dólares) e prepara sua estreia na bolsa de valores.

O valor do investimento não foi revelado. “Além de dinheiro, a FTA trará conhecimento e experiência em algoritmos e processos. Ganharemos mais tração”, diz Mira.

Neste ano, a TruckPad movimentará entre 500 e 700 milhões de reais em fretes e crescerá 3 vezes sobre 2019. Para o próximo ano, projeta movimentar 2 bilhões de reais e crescer de 3 a 4 vezes sobre 2019. O quadro de funcionários será quadruplicado, indo de 150 a 600 funcionários até junho de 2020.

A ambição não para por aí: daqui a duas semanas, Mira deve voltar a pedir recursos de venture capital para financiar ainda mais a expansão da TruckPad. Depois da experiência, veio a confiança.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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