Desde o início da pandemia, varejo e indústria passaram a produzir itens com recursos próprios e doar para sistemas municipais de saúde

 

Álcool gel e máscara são alguns dos artigos de prevenção à Covid-19 (Foto: Anna Shvets / Pexels)

Álcool gel, máscaras e outros produtos que ajudam na prevenção à contaminação da Covid-19, doença transmitida pelo novo coronavírus, têm desaparecido das prateleiras de todo o Brasil. Em alguns casos, vendedores têm praticado preços abusivos para a comercialização e até mesmo hospitais ou casas de repouso, locais extremamente sensíveis à presença do vírus, acabam ficando sem suprimentos necessários.

Para se ter uma ideia da dimensão da demanda, a Companhia Nacional do Álcool, fabricante das marcas Coperalcool, Zulu, Zumbi e Da Ilha viu a demanda por álcool gel aumentar 6500% só no mês de março. Eles estimam produzir 4 toneladas no total. De acordo com estudo da Ebit | Nielsen, em apenas um dia de março as vendas online do item chegaram a R$ 800 mil.

Diante disso, no último dia 18 de março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou farmácias de manipulação a produzir o item. Dois dias depois, estendeu a permissão a indústrias de medicamentos, saneantes e cosméticos, mesmo sem autorização prévia da entidade reguladora.

Como forma de ajudar a sociedade, algumas empresas que têm fábrica própria iniciaram a produção, mas para doação.

Fábrica de pigmentação de piscinas usa período ocioso para produzir álcool gel
As fábricas homologadas da iGUi Piscinas não pararam para a quarentena, mas tiveram uma queda significativa na demanda por conta do novo coronavírus – estimado em até 25%. Assim, a empresa orientou a uma das fabricantes a dedicar parte da jornada da unidade de Cedral, no interior de São Paulo, que é focada no desenvolvimento de pigmentação das piscinas, à produção de álcool gel.

O presidente da empresa, Filipe Sisson, diz que os primeiros mil frascos devem ser entregues já no fim da próxima semana para instituições carentes já atendidas pela marca na região de São José do Rio Preto (SP). Os franqueados também devem ajudar a distribuir os frascos em suas respectivas regiões, em breve.

 

Álcool gel (Foto: Kelly Sikkema / Unsplash)

 

Empresas que já produzem álcool gel direcionam lotes para doações locais
Um dos primeiros anúncios veio ainda na semana passada: O Grupo Boticário doou 1,7 tonelada de álcool gel da marca Cuide-se Bem para o sistema de saúde pública de Curitiba, cidade onde se localiza a sede do grupo.

Ação parecida foi anunciada nesta semana pela rede de franquias de produtos de limpeza Ecoville. O álcool gel é o carro-chefe de vendas da rede, fundada pelo empreendedor Leonardo Castelo. Para ajudar no combate à Covid-19, ele anunciou a doação de 10 mil frascos de álcool gel em Joinville (SC). Do total, 3 mil foram destinados à Secretária Municipal da Saúde e outros 7 mil foram distribuídos à população carente da cidade.

Com a autorização para farmácias de manipulação, a empresa de cosméticos e manipulação Dermage também iniciou a produção de álcool gel. Eles pretendem vender o item para clientes, por delivery, mas também anunciaram doações para o Instituto Nacional do Câncer (Inca), Retiro dos Artistas e outras instituições “selecionadas com a ajuda da classe médica”, diz comunicado da marca nas redes sociais.

Fábricas usam materiais próprios para fazer máscaras
Além do álcool gel, outro item que se tornou raro em farmácias, supermercados e também nos serviços de saúde são as máscaras. Para ajudar a sanar essa necessidade, algumas empresas passaram a doar esses equipamentos de proteção para os serviços públicos de suas respectivas cidades.

A fábrica da Anjos Colchões está fechada desde a última quinta-feira, 19, e todos os funcionários estão em férias coletivas. Trinta deles se voluntariaram para fabricar 500 kits de toucas, aventais e máscaras com o mesmo material utilizado para a fabricação de colchões, seguindo as devidas normas técnicas, desde a última segunda-feira, 23.

A doação foi feita para a rede municipal de Capitão Leônidas Marques, região de Cascavel (PR), cidade onde a fábrica se localiza.

Por meio de comunicado, o Grupo Kyly, dono da marca de roupas Milon, diz que também realizou a doação de 1900 máscaras e 4800 luvas que já tinham em estoque para profissionais de serviços de saúde de Pomerode, em Santa Catarina, e região. A produção de novas máscaras e também aventais para doação iniciou na última segunda-feira, 23, e contou com o apoio da comunidade e de parceiros.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

 

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