Sem atendimento presencial no comércio, Instagram, Facebook e plataformas como o WhatsApp se tornaram indispensáveis para empreendedores

A pandemia de coronavírus já estava acontecendo quando a designer e vendedora de joias Carolina Ávila decidiu abrir uma loja online para comercializar os produtos. Diante da necessidade de distanciamento social e demais cuidados observados, ela enxergou uma oportunidade ao apostar na internet como uma forma de trabalho.

Uma das principais ferramentas utilizadas por Carolina são as redes sociais, por onde recebe pedidos, compartilha o trabalho realizado e mantém um constante contato com os clientes, buscando aquelas pessoas que ainda não conhecem os seus produtos e podem se interessar por eles. Apostar no marketing visual também foi um ponto forte buscado por ela.

A designer é exemplo de uma tendência verificada em uma pesquisa elaborada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Foto: Reprodução/Arquivo PessoalLegenda: Carolina vende joias na internet

“O Impacto da Pandemia de Coronavírus nos Pequenos Negócios” ouviu 6 mil empreendedores de todo o país, entre setembro e outubro de 2020, e identificou mudanças de comportamento com o varejo atingido pela restrição de circulação de pessoas e suspensão do atendimento presencial no comércio.

Entre elas, que as vendas eletrônicas vieram para ficar já que sete em cada dez empresas atuam neste ambiente. E as redes sociais e plataformas como WhatsApp são as prediletas dos pequenos negócios. O WhatsApp é o preferido pelos empreendedores, com 84% de adeptos. As redes sociais Instagram e Facebook são as próximas opções, com 54% e 51%, respectivamente. Somente 23% dos negócios vendem por sites próprios.

“Desde que comecei o meu negócio, uma das estratégias que tive era sempre marcar meus clientes. Também investi em embalagens para causar um encantamento. Eu marco o cliente nas redes sociais desde a confecção do produto. Ele me reposta e os amigos e parentes dele vão ver e me conhecer. Quando eu mando o produto pronto, o cliente fica encantado com a joia e também posta nas redes e me marca. Com isso, novas pessoas vão me conhecer e me seguir”, explica.

Outra estratégia encontrada por Carolina são as propagandas patrocinadas, os chamados tráfegos pagos. Segundo ela, essa é uma forma de direcionar melhor o público. “Há uns dois meses comecei a investir no tráfego pago para trazer uma clientela diferente, que não teria acesso a essas postagens que meus clientes fazem. Com isso, eu posso direcionar quem eu quero que veja. Assim, seleciono o público que prefiro de clientes, revendedores ou até fornecedores. Tem dado muito certo”, conta.

Foto: Divulgação

Mutirão

As performances de Carolina nas redes estão em sintonia com o que recomendam consultores da área para quem quer aproveitar oportunidades de vendas e maior alcance de exposição de produtos e serviços na internet.

“É necessário construir uma estratégia a quem quer vender usando as redes sociais, pois ali o ambiente é mais amplo, mais aberto. Cada rede pede um cuidado diferente desde a escolha do produto disponível e o formato da abordagem naquela rede. No nosso entendimento, ele só não pode poluir, contaminar, exagerar na rede social senão fica sem objetividade”, aponta o superintendente do Sebrae no Espírito Santo, Pedro Rigo.

Ele lembrou que os microempreendedores e responsáveis por pequenos negócios podem aproveitar os serviços gratuitos de consultoria na área dentro do mutirão “Conte com o Sebrae”, com atendimento remoto até esta sexta-feira (23).

“Todas as consultorias relacionadas estão 100% subsidiadas pelo Sebrae. O interessado pode ir direto ao portal”, reforça. Os especialistas irão ouvir as necessidades dos empreendedores e indicar as melhores soluções. “Independente da pandemia que estamos vivendo esse é um tema que não volta como era antes. As vendas online devem fazer parte do plano de negócios da empresa”, reforçou Rigo.

Dicas para sucesso de vendas nas redes sociais:

O Sebrae recomenda que o empreendedor conheça bem os hábitos do seu público para poder interagir com ele e separou dez dicas.

1 – Defina a persona

A persona é um personagem fictício que reproduz o perfil do cliente ideal para um negócio. Pode-se criar uma persona fazendo uma pesquisa diretamente com os clientes, procurando conhecer quais são seus gostos, preferências, hobbies e queixas, entre outros. A partir dela, pode-se pensar em estratégias de vendas direcionadas para um público específico.

2 – Conheça todas as redes sociais

A recomendação é que o empreendedor não se limite à rede que está mais em evidência no momento. O Instagram é o preferido da vez mas ainda há um público considerável no Facebook, no Pinterest e no WhatsApp.

3 – Foco na qualidade

 Nem todas as redes sociais serão adequadas para o seu negócio e para as metas e objetivos que você definiu. Por dois motivos: primeiro porque provavelmente é você que precisará administrar as redes junto com todo o negócio. Segundo que, se você entendeu o propósito de cada rede social e criou personas, deve saber quais seus clientes e o que os potenciais clientes preferem. Vá aonde está o seu público.

4 – Conteúdo relevante

Ponha-se no lugar do cliente e faça esta pergunta: o que eles querem saber da sua empresa? Se tem uma loja de roupas, por que não dar dicas de como combinar cores e falar das últimas tendências? É uma boa oportunidade de mostrar seus produtos.

5 – Imagens

 GIFs, memes, fotografias, figuras, gráficos e vídeos têm muito mais engajamento do que textos.

6 – Crie relacionamento

Não basta colocar seus posts nas redes e não interagir com o público. Isso cria uma impressão de desleixo. Responda e curta os comentários. Mais de 80% dos clientes esperam alguma resposta dentro de 24 horas. Então, mostre responsabilidade e cuidado com os seus clientes e, dependendo do contexto, um pouco de humor sempre vai bem. Outra ideia para criar relacionamento humanizando seu negócio pode ser postar fotos suas no trabalho, em atividades cotidianas, ou na área de produção, com os clientes, por exemplo.

7 – Planeje-se

Defina metas nas redes sociais. Use a estrutura de metas com objetivos específicos, mensuráveis, atingíveis, relevantes e com tempo determinado. Por exemplo, “vou aumentar o número de seguidores no perfil da minha empresa no Instagram de 700 para 1,1 mil em três meses”. Não esqueça de criar um calendário, pensando em datas comemorativas, períodos de promoção e outros conteúdos que valham a pena ser compartilhados.

8 – Encontre inspiração de marcas bem-sucedidas

Inspire-se em estratégias de sucesso de outras marcas. Pesquise em redes sociais de lojas bem-sucedidas e use-as para fazer suas próprias campanhas. Só não vale copiar.

9 – Programe os posts

Já que você fez o planejamento e tem um calendário com as postagens, faça a programação e libere espaço na sua agenda. Existem várias ferramentas gratuitas que permitem essa facilidade.

10 – Monitore os resultados

Teste e avalie a sua estratégia. Analise dados como: número de cliques por postagem, o alcance de seus posts, horário da publicação, conteúdo, número de visitas. Depois faça os ajustes necessários com base nos resultados para melhorar o desempenho cada vez mais.

Serviço:

As ações do “Conte com o Sebrae” podem ser acessadas pelo link: www.es.sebrae.com.br/contecomosebrae. Já os atendimentos remotos serão realizados das 8h às 18h, pelo telefone 0800 570 0800 ou pelo WhatsApp no número (27) 3041-5500.

Fonte: Folha Vitória

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