Um artigo, publicado março de 2021, no Centers for Disease Control and Prevention Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR), concluiu que a educação virtual pode representar mais riscos do que a escola presencial com relação à saúde mental e emocional da criança e dos pais.

No período entre 8 de outubro e 13 de novembro de 2020, Verlenden e colaboradores contaram com o apoio da instituição NORC no painel AmeriSpeak da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, para administrar uma pesquisa online ou por telefone.

Foram entrevistados 1.290 pais de crianças de 5 a 12 anos. Um total de 45,7%, 30,9% e 23,4% dos entrevistados relataram que seus filhos receberam educação virtual, presencial ou combinada, respectivamente.

Educação virtual

O estudo mostrou que, de acordo com os relatos dos pais, houve diminuição das taxas de atividade física, tempo gasto ao ar livre, tempo presencial e virtual com amigos e piora da saúde mental ou emocional entre as crianças que receberam educação virtual quando comparadas àquelas que receberam educação presencial.

Os pais de crianças que receberam educação combinada relataram os mesmos resultados para seus filhos que os de crianças que receberam educação virtual, com exceção da diminuição do tempo virtual com os amigos, em comparação àqueles que receberam educação presencial. Por fim, as crianças que receberam educação combinada tiveram taxas mais altas de atividade física e tempo gasto ao ar livre em comparação àqueles que receberam educação virtual.

Com relação aos pais cujos filhos receberam educação virtual, houve uma propensão maior a relatos de perda de trabalho, preocupações com a estabilidade no emprego, dificuldades com os cuidados infantis, conflito entre trabalhar e cuidar dos filhos, sofrimento emocional e dificuldades para dormir, em comparação àqueles cujos filhos receberam educação presencial.

Os pais cujos filhos receberam educação combinada foram mais propensos, em comparação àqueles cujos filhos receberam educação presencial, a relatar perda de trabalho e conflito entre trabalhar e cuidar dos filhos. Já os pais cujos filhos receberam educação virtual foram mais propensos a relatar sofrimento emocional, em comparação com aqueles cujos filhos receberam educação combinada.

Conclusões

Os resultados obtidos destacam a importância da aprendizagem presencial para o bem-estar físico e mental das crianças e para o bem-estar emocional dos pais. O estudo publicado pelo MMWR reflete a necessidade de apoio adicional para crianças que recebem educação virtual ou combinada e também para seus pais para mitigar o estresse, incluindo vínculo com serviços de saúde social e mental e oportunidades de se praticar atividades físicas seguras para reduzir os riscos associados a condições crônicas de saúde.

Os pesquisadores sugerem a adoção de programas de apoio e o uso de recursos para atender às necessidades da comunidade, garantir acesso equitativo aos serviços e abordar as desigualdades de saúde ou educacionais para famílias de grupos de minorias raciais e étnicas.

Portanto, ações em toda a comunidade para reduzir a incidência de Covid-19 e apoiar estratégias de mitigação nas escolas são extremamente importantes para apoiar o retorno dos alunos à aprendizagem presencial. Por fim, gostaria de lembrar que os pais precisam cuidar de seus filhos, mas também precisam cuidar de si mesmos.

Autora:

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação.

Referências bibliográficas:

Fonte: PEBMED

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