Quando a catarinense Silaine Stüpp, 36 anos, participava de entrevistas de emprego, as perguntas dos recrutadores quase sempre envolviam sua vida pessoal. “Eles chegavam a perguntar se meu marido me deixava trabalhar”, diz ela. Incomodada com esse cenário, a empreendedora decidiu criar, em 2018, a startup HerForce. A ferramenta permite avaliar se as empresas atendem às demandas de suas funcionárias e se têm ambientes livres de preconceitos.

Antes de empreender, Silaine passou por diferentes áreas. “Eu tive que pivotar a minha carreira algumas vezes”, diz.

Criada em um sítio, ela sempre quis fazer uma graduação. No entanto, por questões financeiras, teve que adiar esse sonho. Aos 16 anos, com o intuito de juntar dinheiro para a faculdade, ela se tornou modelo.

Depois de desenvolver sua carreira a nível internacional, Silaine decidiu abandonar as passarelas e começar um curso de marketing. Foi então trabalhar na área de e-commerce, mas acabou pedindo demissão após ser diagnosticada com câncer.

“Eu passei a pensar muito no que estava fazendo e como a falta de representatividade das mulheres nas empresas me incomodava. Isso foi o impulso para que eu pensasse em empreender”, diz. Em 2018, ela fundou a HerForce.

Com notas de 1 a 5, a plataforma permite a avaliação das empresas com base em seis critérios: desenvolvimento pessoal, carreira, flexibilidade de trabalho, ambiente de trabalho, suporte familiar e representatividade feminina. Em geral, muitas mulheres também se preocupam com a duração das licenças materinidade e paternidade ou se a empresa oferece auxílio-creche.

Para entender as deficiências do mercado para as mulheres, a empresa também fez uma pesquisa com 1,2 mil profissionais. “Divulgamos o estudo em 2018 e os dados foram alarmantes”, diz a fundadora.

De acordo com a pesquisa, 83% das mulheres já sofreram ou presenciaram assédio moral, 72% sentem que a maternidade pode ameaçar ou já ameaçou o seu crescimento, 44% já pensaram em deixar algum emprego em virtude do ambiente discriminatório e 57% já sofreram ou presenciaram assédio sexual no ambiente de trabalho.

Silaine afirma que uma das áreas em que as mulheres sentem mais preconceitos é a da tecnologia – mas diz que o cenário está mudando aos poucos. “Hoje, as empresas estão olhando mais para a questão da diversidade e percebendo que podem perder grandes talentos se continuarem com uma postura preconceituosa”, afirma.

A empreendedora acredita que um dos diferenciais da startup é justamente entender as necessidades das profissionais. “Existem outras ferramentas de avaliação, mas elas não fazem esse recorte por gênero. Consideram mais a questão salarial”, diz a empreendedora.

A HerForce também disponibiliza vagas de emprego, cobrando uma taxa das empresas que anunciam. No futuro, a startup busca acrescentar novos recursos à ferramenta, como conteúdos de mentoria e contato de advogados.

Fonte: PEGN

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