Em cidade pequena, tudo é notícia. Foi assim quando alguns campeonatos regionais chegaram ao campo de futebol de Guaraci (SP), que tem cerca de 10 mil habitantes. A movimentação fez com que o então adolescente de 13 anos Nadim Farid Nicolau Neto, hoje com 38, percebesse uma oportunidade de ganhar dinheiro.

Mas, ainda durante sua juventude, a crise abalou a família de Nadim. O fato coincidiu com o período em que ele passou no vestibular para cursar Odontologia e seus pais não tinham dinheiro para arcar com os custos. Como o jovem era o único com nome limpo em casa, ele abriu uma conta e emitiu dois cheques, sabendo que voltariam. Era a única forma de iniciar o curso.

Faculdade aos trancos e barrancos

No meio do caminho, ele conseguiu uma bolsa de 70%. Mas mesmo os 30% restantes ainda eram pesados para a família. “No final do primeiro ano, fomos choramingar para tentar estudar por mais um ano. A faculdade resolveu fazer notas promissórias, pois meu nome também já estava sujo”, relembra.

Nadim conseguiu concluir o curso com o dinheiro de eventos que organizava na própria faculdade. Também contou com o dinheiro do seguro que recebeu pelo falecimento do avô.

Primeiro trabalho e inspiração

A primeira oportunidade de trabalho foi em um consultório odontológico popular em Angra dos Reis (RJ). “Era uma clínica que tinha muito movimento, mas não tinha organização. Eu fiquei lá por um ano e meio, consegui juntar R$ 18 mil e tinha em mente montar esse tipo de consultório em outro lugar”.

Nas pesquisas que fez, Nadim descobriu que clínicas populares já existiam em São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Então, decidiu abrir em Itajaí (SC), após conhecer a cidade. “Montei meu primeiro consultório em 2005, com os R$ 18 mil e oito cheques pré-datados de R$ 2 mil para pagar todo o material necessário. Meu sócio, Expedito Damasceno, pagou pela infraestrutura”.

O negócio deu certo e, no final de 2007, ele já tinha quatro consultórios. “Cresci de forma orgânica, sem muito padrão. O único que tinha era cobrar barato e ser um centro odontológico”.

Crescimento desordenado o obrigou a se tornar franquia

A rede de Nadim chegou a 70 unidades em 2012. Mas por conta da falta de padrão, o negócio começou a deixar de dar lucro e precisou fechar 20 consultórios.

Ele resolveu refazer tudo do zero, dessa vez por conta própria. Foi atrás de benchmark com as novas franquias odontológicas que surgiram na época, contratou uma consultoria de franchising e marketing e ficou oito meses desenvolvendo um novo modelo de negócio.

Nadim resolveu que se distanciaria das clínicas populares e criou um modelo com um investimento mais alto, de quase R$ 1 milhão. De acordo com ele, a ideia é trazer um atendimento padrão classe A, em termos de profissionais, estrutura e decoração da clínica, para o público classe C. “Fechei 2016 com quatro unidades. No final de 2017 eram 13 e este ano vamos fechar com 60”.

Recepção das clínicas Oral Unic (Foto: Divulgação)

Modelo antigo ainda é existe, mas não é mais comercializado

A média de vendas das unidades antigas era R$ 70 mil. A franquia, já no novo formato, conseguiu faturar R$ 200 mil logo no primeiro mês. Com isso, ele chamou todos os empreendedores antigos e apresentou o modelo. Alguns fizeram a conversão, mas outros preferiram continuar com a identidade antiga. “Elas atendem o público D e E e as franquias pegam o B e C. O modelo antigo vem diminuindo e hoje eu já nem o ofereço mais”.

Nadim comenta que um dos diferenciais do negócio é permitir que os royalties sejam pagos de acordo com o caixa da franquia, e não com o faturamento global, que envolve compras parceladas, por exemplo.

Clientes podem pagar tratamento em até 20x

Montar uma unidade da Oral Unic requer investimento de R$ 950 mil e um espaço de cerca de 400 metros quadrados. Cerca de R$ 200 mil vão somente para a compra de equipamentos odontológicos, incluindo um de raio-x panorâmico de laboratórios que custa R$ 90 mil.

O carro-chefe, hoje, são os implantes, que respondem por 70% do faturamento das unidades. Os serviços podem ser pagos pelo cliente em até 20 parcelas, dependendo do valor do tratamento.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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