As meninas negras das comunidades quilombolas do interior de Pernambuco ganham o apoio do Fundo Malala para não desistirem da escola. Além do aporte financeiro, que será investido, entre outras coisas, no transporte, as garotas têm suas tradições e cultura reconhecidas também no currículo escolar.

Malala Yousafzai ficou conhecida mundialmente ao levar um tiro na cabeça ao sair da escola em 2012, quando tinha 15 anos. A menina paquistanesa cometeu o crime de frequentar as aulas em uma escola. Em 2014, se tornou a mais jovem pessoa a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, quando ainda tinha 17 anos, por seu empenho em garantir que meninas como ela tivessem a oportunidade de estudar.

Malala defende o acesso de meninas à Educação

A luta para garantir o direito à educação para meninas e mulheres de todo o mundo continua. Como parte da plataforma Stand4Her (em português, PorEla), iniciativa global para melhorar a vida de mulheres e meninas em todo o mundo, a Fundação Avon, por meio do Instituto Avon Brasil, investiu US$ 100.000 no Fundo Malala, com o objetivo de treinar professores e líderes comunitários de 15 comunidades quilombolas, que vão beneficiar mais de 3 mil meninas e meninos.

“Acreditamos que a educação é a porta principal para o desenvolvimento do ser humano”, diz a professora Maria José, a Mazé, líder da comunidade quilombola Feijão e Posse. “As localidades quilombolas estão em áreas de difícil acesso e as crianças têm muita dificuldade para ir até a escola”.

Muitas precisam caminhar por quilômetros até a sala de aula. Outras, perdem aula porque o transporte, que deveria chegar, não aparece. As meninas são mais prejudicadas porque, em muitas situações, não é seguro irem sozinhas até a escola.

O Projeto Educação Escolar das Meninas Quilombolas atende a necessidade de melhorar a questão do transporte escolar por meio de parcerias com as prefeituras e, também, melhorar a qualidade do ensino, além de valorizar a tradição e cultura quilombola.

“É muito importante trabalhar na sala de aula as diretrizes e especificidades do currículo com a cultura quilombola para que não seja visto apenas como uma data comemorativa”, avalia Mazé.

A comunidade escolhida para implantar o Projeto, a partir de diálogos com a Comissão Estadual de Articulação das Comunidades Quilombolas de Pernambuco, é Mirandiba, município com um número significativo de comunidades quilombolas – 15 ao todo.

O currículo escolar das escolas de Mirandiba será adaptado para contemplar diretrizes de reconhecimento da cultura, história e costumes das populações de origem afrobrasileira.

Esse é o objetivo do Projeto Educação Escolar das Meninas Quilombolas de Mirandiba, que está sendo implementado na cidade por meio de uma ação integrada do CCLF (Centro de Cultura Luiz Freire), da rede de educadores Gulmakai e do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

“A ideia é garantir o direito de todos à educação, mais especificamente das meninas, mas também é garantir elas entendam quais são os seus direitos”, explica o educador do CCLF, Rogério Barata. “Também trabalhamos com a formação de lideranças e o fortalecimento das comunidades quilombolas.”

Apenas quatro instituições brasileiras integram a rede mundial de educadores Gulmakai. “Além do reconhecimento, essa é uma oportunidade para trocar experiências com diferentes instituições.”

Fonte: R7

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