O papo de hoje é sobre “generosidade”, e pra começar essa reflexão, vou de Simone de Beauvoir, que dizia: “Generosidade é dar tudo de si, e ainda sentir como se não lhe tivesse custado nada”. Parece difícil encaixar esse pensamento em tempos tão egoístas. Afinal, a maioria de nós só gosta de receber! Pode parecer dicotomia vivermos uma época de “compartilhamento” e, quase no mesmo pé, mantermos uma postura cada vez mais “egocêntrica”. Então vale a pena repensarmos a pessoa que queremos ser nesse mundo cada vez mais frio, calculista, mas que possibilita a nossa transformação interior o tempo todo.

Entre tantas definições, e nesse caso específico, pode-se dizer simplesmente que a generosidade é uma virtude de quem distribui bondade – que pode ser em forma de dinheiro ou apenas gentileza – sem buscar qualquer forma de retorno. É fazer o bem, sem se ater a quem! Dar lugar no ônibus ou passagem no trânsito, segurar a porta para uma pessoa passar, ou ajudar num troco no caixa são atitudes gentis, que não dependem de fatores externos.

Lá na raiz

Etimologicamente, a palavra generosidade vem do latim “gens”, que tem fonte indo-europeia no termo “gen”, que significa gerar ou fazer nascer. Em português, as palavras que iniciam por “gen” traduzem a ideia de gênese ou genitor. Perceba que “gentis e gentileza”, citadas acima, também fazem parte dessa categoria e espelham a mesma sensação de “boa atitude”. E se falarmos em “gente”, o generoso significa “aquele que teve bom nascimento”, e que acabou ganhando significado no sentido de quem reparte nobremente! E gentileza é algo nobre mesmo!

Para ser generoso é preciso antes de tudo ser humilde e por quê? Porque a humildade, ou seja, o reconhecimento de que todos nós somos iguais, com alegrias, tristezas, frustrações e temos o mesmo desejo de sermos bem recebidos e tratados com respeito, nos aproxima uns dos outros, sendo a porta de entrada para outros sentimentos e atitudes do bem! É um funil, que só passam aqueles que conseguem ter uma percepção mais solidária e igualitária. E são poucos!

O que a falta de generosidade diz sobre a personalidade

Já a falta de generosidade, como antecipado no início, perpetua a mesquinhez, o egoísmo e gera isolamento. Esse comportamento comum, a gente encontra todos os dias na vida: gente que não enxerga o outro, que circunda na sua própria órbita, que é incapaz de demonstrar um pingo de generosidade, ou, pelo menos, mostre interesse em desenvolver algum nível de relacionamento. Você convive anos com o ser humano e ele não esboça um milímetro de bondade, uma respirada ou qualquer sinal de que esteja interessado em alguma troca. Agora se sente ofendido até com o odor do ar, com o humor do vento ou incomodado com a folha que cai!

Porque cultivar a generosidade

Em artigo de José Roberto Marques, o autor pontua os benefícios da generosidade e vou aqui compartilhar: 01-) A pessoa generosa se sente mais feliz; realizada e possui mais qualidade de vida. 02-) O indivíduo generoso é mais engajado, solidário, disposto a cuidar do outro, prestar-lhe favores e praticar boas ações. 03-) Pessoas generosas são mais dispostas a fazer sacrifícios em prol de outras pessoas. 04-) A generosidade alimenta o amor ao próximo e confere maior significado à vida daquele que é generoso. 05-) Indivíduos que são generosos são vistos como exemplos e mais abertos a receber gestos de compaixão. 06-) A generosidade está ligada à inúmeras emoções positivas e traz tanto benefícios físicos quanto emocionais.

Além disso, pra mim, ser generoso tem a ver com o que você oferece ao planeta e o que ele lhe trará de volta. Ser generoso atrai todo tipo de generosidade. Se alguém não generoso te fecha a porta, outro generoso chega e te ajuda! Se você precisa de um auxílio e faz um pedido a alguém mesquinho, rapidamente a divina providência trabalha outra frente e você se depara com a solução. Sempre, sempre a melhor opção é ser generoso, ser grato e fazer o bem! Porque o universo vai lhe retribuir!

Quem mais perde

Infelizmente, só o egoísta não percebe que está se prejudicando! Nos escritórios, ele passa a vida toda se segurando num cargo meia-boca sem desenvolver amizades verdadeiras e, menos ainda, não está nem aí com os demais; na família, mantém relacionamentos doentios; na sociedade, poucos amigos ou conhecidos e, pior, em relação à grana, dá um passo pra frente e dois pra trás, dificilmente será visitado pela prosperidade. Já os generosos, estão em constante crescimento, aprendizado e atraem a prosperidade, que faz questão de se achegar, sendo instrumento para as boas ações dos generosos, que são poucos!

Cristina Monte
Cristina Monte é jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É articulista-convidada e colunista da Coluna Mai$ Negócio$, do Jornal do Commercio e apresenta as notícias da Coluna no AmazonPlay TV Digital. Atualmente, além dos projetos mencionados, a jornalista atua como assessora de Imprensa, palestrante e estuda o curso de Coaching.

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