Nem preciso dizer que o mercado de trabalho vem mudando constantemente com a tal da Quarta Revolução Industrial. São as empresas tentando se adaptar a um novo modo de produção e de consumo, e os trabalhadores tentando manterem-se nos empregos. É uma tensão pra todos os lados! E nesse cenário – com poucas vagas disponíveis – ainda há os que já têm mais de 40 anos de idade e buscam começar, recomeçar ou iniciar uma nova carreira. Será que ainda há espaço no mercado de trabalho pra essa turma?

Sem maturidade pra escolher

Quando somos jovens nem sempre é fácil escolher uma carreira profissional. Sempre foi difícil pra uma garota ou garoto de 18 anos escolher o que queria fazer pro resto da vida. É um compromisso pra muito tempo! Nessa fase da vida, muitas vezes a gente escolhe profissões por ilusão, por persuasão do pai, da mãe ou escolhe por escolher sem ter ao certo certeza das aptidões ou habilidades.

É praticamente normal ver a garotada mudando de áreas, como por exemplo, o jovem começa cursando Administração, depois passa pra Gastronomia e acaba se formando em Arquitetura! Uma odisseia pra finalmente se encontrar. Fora os que seguem perdidos…

Mas, com o passar dos anos e certa (matur)idade conseguimos perceber melhor nossos talentos, gostos e preferências. No meu caso, cursei Jornalismo depois de ter meus dois filhos. Não tive oportunidade de estudar antes e me tornei mãe com 23 anos.  Acho que tudo aconteceu no meu tempo! Entretanto, a gente sabe que com a velocidade do mundo, as escolhas profissionais agora são pra ontem.

Há um tempo

Também demorei a entrar no mercado de emprego depois de formada, pois me sentia dividida entre a educação das crianças e o desejo de terminar o curso. Acabei optando por cuidar das crianças e só fui pra faculdade quando tinha por volta dos 26 ou 27 anos, e o trabalho teve que esperar um pouco mais.

Depois trabalhei muito na área e assim se seguiu. Mas, há poucos anos senti o desejo de estudar História e, de certa forma, me aprofundar no Jornalismo, pois há aderência entre as áreas, como a pesquisa a fontes, entre outras possibilidades.  E te digo que é um desafio pra quem tem mais de 40 anos recomeçar, sentar com a turma de 18 anos e se tornar estagiário novamente.

Na pista 

Porém, a nosso favor, algumas atitudes e comportamentos nos diferenciam dos jovens, como comprometimento, responsabilidade, vontade de aprender e mais um monte de coisas que a gente vai aprendendo ao longo da jornada. E uma reportagem do Estadão, publicada dias atrás, me fez parar para refletir a respeito desse pessoal que tem desejo de cursar uma faculdade, complementar a renda, iniciar nova profissão ou mais, sobreviver nesse panorama de escassez de vagas de trabalho e minguadas oportunidades.

Bem, pelo incrível que possa parecer, de acordo com a matéria, que se baseou nos dados de uma pesquisa do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), o número de estagiários de 40 a 50 anos cresceu cerca de 5% entre 2017 e 2018, e apesar de falarmos tanto em novas profissões, por conta da tecnologia, áreas como Pedagogia (57%) e Direito (11%) são as mais destacadas.

Também é importante lembrar que estamos vivendo por mais tempo. Conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a expectativa de vida do brasileiro subiu para 76 anos. Então, depois dos 40 a gente ainda tem muita estrada pra percorrer!

De olho

Além disso, para as empresas esse relacionamento intergeracional também é positivo, porque dá pra ter times variados e, portanto, com diferentes competências e habilidades. No caso do pessoal acima dos 40, geralmente a base educacional foi melhor, carregam experiências que são importantes para o ambiente de trabalho e possuem melhor equilíbrio emocional do que os jovens. Por conta disso, muitas companhias estão criando seus próprios programas para contratar essa turma.

Outra matéria, agora da Veja online, apresenta várias empresas que estão apostando nesse público, como a desenvolvedora de software Totvs que criou o programa “Geração Sênior”, a Cencosud Brasil (dona da rede GBarbosa) que iniciou o programa “Talentos Experientes”, a administradora de consórcios Embracon que também contrata profissionais mais experientes e o Grupo DPSP (Drogarias Pacheco e São Paulo) que não ficou atrás e entrou na onda, criando o programa “Farma 50+”, entre outras empresas.

Mas, o mais bacana de tudo é a gente perceber a mudança de mentalidade. Até há pouco tempo, os quarentões eram sumariamente descartados das companhias.  O preconceito era enorme justamente no melhor momento da vida. Agora o cenário é outro e muita gente tem continuado nos postos de trabalho. E mesmo que a tecnologia tenha chegado pra ficar, há um pessoal que aprendeu a ser resiliente e desistir jamé!

Cristina Monte
Cristina Monte é jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É articulista-convidada e colunista da Coluna Mai$ Negócio$, do Jornal do Commercio e apresenta as notícias da Coluna no AmazonPlay TV Digital. Atualmente, além dos projetos mencionados, a jornalista atua como assessora de Imprensa, palestrante e estuda o curso de Coaching.

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