No primeiro semestre desse ano, as vendas de veículos no país cresceram 12% e os licenciamentos subiram 9% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a ANFAVEA, associação que reúne os fabricantes de veículos automotores.

Detalhe: parte importante desses veículos foi comercializada para locadoras de automóveis. Para você entender a importância desse movimento, basta dizer que as locadoras, que respondiam por 11% dos emplacamentos em 2016, foram responsáveis por 19% dos carros adquiridos no mercado nacional  no ano passado.

Sabe para quem as locadoras estão alugando esses automóveis? Acertou quem apostou nos motoristas de aplicativos. Esses profissionais já representam 15% das locações, de acordo com a Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis.

Resumo da ópera: a mudança no hábito dos consumidores afetou a dinâmica, mas não necessariamente os resultados das empresas relacionadas ao mercado automotivo. Os fabricantes estão vendendo mais veículos e as locadoras alugando mais carros, embora não necessariamente para os mesmos clientes de antigamente.

Fenômeno parecido acontece em diversos setores. Quer outro exemplo? Apesar de muitas pessoas terem simplesmente deixado de comprar CDs ou pagar por download de música, o mercado fonográfico tem motivos de sobra para sorrir de orelha a orelha. No Brasil, as receitas do setor de música gravada subiram 15,4% entre 2017 e 2018 – e nada menos do que 69,5% desse valor vieram de serviços de streaming. Ou seja, os consumidores não pararam de consumir música e a indústria não parou de vender. No entanto, isso acontece hoje de um jeito bem diferente do que no passado. Os números são do Pró-Música Brasil.

Quando pensamos na indústria da moda, tão importante para o mix dos shopping centers, algo semelhante parece acontecer, pelo menos lá fora. Dados de um estudo divulgado pelo site ThredUP mostram que a quantidade de itens de vestuário no armário dos americanos caiu de 164 peças em 2017 para 136 esse ano. Sabe por quê? Tem mais gente alugando roupas ou vendendo os itens do armário antes de comprar outras peças, muitas vezes também usadas.

Estima-se que o varejo de vestuário deva crescer 3% ao ano nos próximos cinco anos, enquanto o mercado de roupas usadas dará saltos anuais de 16% no mesmo período. Não é a toa que marcas como Urban Outfitters, Banana Republic e até a tradicional Bloomingdale’s estão entrando de cabeça no promissor negócio de venda de assinatura de roupas, que permite que as clientes peguem emprestada determinada quantidade de peças, devolvendo após usar.

Durante a NRF deste ano, Rodney McMullen, CEO da Kruger, disse uma frase impactante: “Os clientes sempre irão comer. O que mudou é o que vão comer e como farão isso”. Ele está certo e sua previsão não se limita, como vemos, ao mundo da alimentação. Serve para quase tudo, inclusive para o universo dos shopping centers, que continuam recebendo todos os dias um exército de frequentadores, não necessariamente para fazer compras nas lojas. As pessoas não estão deixando de consumir. Elas apenas estão fazendo isso de um jeito diferente.

Precisamos aceitar que existe um mundo novo lá fora, habitado por pessoas com novos hábitos e motivações. Essa novidade exige que todos nós renovemos nosso modo de pensar, deixando de lado velhos truques e ideias do passado, que não funcionam mais. Para sobreviver, precisamos entender que inovar não se limita a adotar novas tecnologias, mas sim encarar de frente o desafio da transformação e incorporar novas maneiras de fazer negócios.

Afinal, como dizia o mestre Einstein, “a definição de insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”.

Fonte: Mercado e Consumo

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