Ainda como rescaldo do que pude acompanhar no VII Congresso Internacional de Oncologia Rede D´Or, realizado semana passada no Rio de Janeiro e objeto da coluna de terça-feira, acho importante registrar a palestra de Sonoo Thadaney, no começo da noite de sexta-feira. Diretora-executiva do Presence, centro ligado à faculdade de medicina de Stanford (EUA), ela se apresenta como uma facilitadora para conectar áreas interdisciplinares, mas seu principal foco é promover o equilíbrio entre tecnologia e o cuidado com as pessoas. Durante duas décadas teve uma trajetória como empreendedora digital no Vale do Silício, que incorporou às atuais preocupações em busca do bem-estar de médicos e pacientes.

Sonoo Thadaney, diretora-executiva do Presence, centro ligado à faculdade de medicina em Stanford — Foto:  Divulgação

Sonoo Thadaney, diretora-executiva do Presence, centro ligado à faculdade de medicina em Stanford — Foto: Divulgação

Sua apresentação, longe de incensar as conquistas tecnológicas, focou em seus perigos, a começar pela falta de representatividade de todos os segmentos da população em pesquisas e, por extensão, em projetos de grande envergadura da área digital. “Ainda nos guiamos por dados relativos a homens brancos, na faixa dos 50 anos, deixando de lado a maior parte da população”, afirmou. Reportagem de meados deste mês no jornal britânico “The Guardian” bate na mesma tecla: durante séculos, a mulher foi excluída dos estudos médicos e científicos, levando a um quadro de diagnósticos incompletos e falta de conhecimento sobre as doenças que afetam metade da espécie humana.

Segundo Sonoo Thadaney, se a diversidade humana não estiver devidamente espelhada nos algoritmos que dão sustentação ao mundo digital, teremos uma desigualdade cada vez maior. Para ela, outro grande desafio é “humanizar” a tecnologia, por isso seu trabalho se baseia num tripé onde a experiência do indivíduo e o impacto positivo de uma inovação para a população têm o mesmo peso que o custo.

Em sua palestra, a história de um paciente que recebeu o diagnóstico de que teria pouco tempo de vida através de um vídeo gerado por um robô é um exemplo do que deve ser evitado a qualquer custo. “Temos responsabilidades morais e éticas em relação aos desdobramentos da interação entre seres humanos e máquinas. O design de qualquer sistema de inteligência artificial deve ser centrado na pessoa. Assim conseguiremos melhorar a relação médico-paciente, ou diminuir a síndrome de burnout de profissionais da saúde. Por isso, a pergunta que devemos nos fazer é: ‘podemos fazer isso, mas devemos fazê-lo’?”, resumiu.

Fonte: G1

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