Em 2019, o Amazonas registrou, entre janeiro e abril, a reinserção de mais de 44 mil desempregados no mercado de trabalho apenas por meio da Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab). Em entrevista ao EM TEMPO, a titular da pasta, Neila Azrak, fala sobre como recuperou a confiança dos empresários ao assumir a secretaria num momento considerado crítico para o estado, projetos para o interior e a importância da qualificação para garantir uma vaga no mercado.

EM TEMPO – Quantas pessoas já conseguiram emprego por direcionamento da Setrab esse ano? Como foi possível chegar a esse resultado?

Neila Azrak – Apenas pela Setrab, foram 44.436 pessoas apenas de janeiro a abril. Isso significa que temos 2 mil pessoas a mais que esse mesmo período no ano anterior. Temos 83% a mais de vagas em colocação de emprego. Isso foi possível porque readquirimos a confiança dos empresários do estado, temos parceiros grandes e importantes que conseguimos trazer de volta. Para um gestor, a melhor coisa são os números; o sistema não mente. Hoje o estado tem uma das melhores secretarias do trabalho do país, atingimos a melhor meta em abril.

EM TEMPO – Quais as vagas de trabalho mais oferecidas pela secretaria?

Neila Azrak – Grande parte é voltada para o setor de serviços. Então são vagas para empregos como vigilante, vendedor de comércio varejista, alimentador de linha de produção, técnico de enfermagem, promotor de vendas, operador de caixa, servente de obras, faxineiro e ladrilheiro.

EM TEMPO – Você falou sobre recuperar a confiança do empresário para gerar vagas de trabalho. Como isso foi feito?

Neila Azrak – Entendo que a confiança se deve ao contato, ao gestor ir em busca. O estado precisa dos empresários. Quando o gestor vai atrás, o empresário dá oportunidade. É um trabalho de campo, com uma equipe de captação de vagas, onde vamos até os empresários, mostramos projetos e dados e eles estão apostando nisso.

EM TEMPO – A secretaria tem programas de qualificação para quem mora no interior?

Neila Azrak – Temos um projeto de qualificação no estado como um todo. O governador pediu para que nós, gestores, tivéssemos consciência de que as secretarias trabalham para todo o estado, e não apenas a capital ou região metropolitana. Estou visitando todos os municípios do interior e conversando com os secretários municipais de trabalho. Estamos entrando num consenso de como vamos diminuir o número de desemprego. É diferente lidar com o desemprego em municípios onde não há empresas locais e nem capital. Estamos com um projeto voltado para o artesanato e de qualificação imediata, como manicure, cabeleireiro e pedreiro. Essas são profissões imediatas, que você pode, de forma rápida, abrir um espaço e ganhar seu dinheiro. Dessa forma, tentamos amenizar a situação dos desempregados nos municípios.

EM TEMPO – A falta de qualificação é um fator agravante para o desemprego?

Neila Azrak – Sim, mas vejo que não é por falta de vontade das pessoas. Cursos de qualificação são caros. Por isso temos projetos. Estamos fazendo um estudo de acordo com a necessidade das empresas, onde vejo quais tipos de cursos eles mais pedem e qual minha dificuldade em colocar. Baseado nisso, nosso projeto, com a emenda que consegui junto ao Governo Federal, vamos fazer cursos de qualificação o ano inteiro, todos voltados para as necessidades. Dessa forma, terei facilidade de colocar as pessoas no mercado de trabalho.

EM TEMPO – Hoje vemos muitas pessoas no empreendedorismo de base, vendendo doces caseiros, virando motoristas de aplicativo. Como a secretaria vê a questão da informalidade no estado?

Neila Azrak – Vemos essa profissão como algo emergencial. Maioria das pessoas tem uma profissão, mas não consegue se colocar na área na qual é graduada. Então buscam uma alternativa. Isso influencia na economia porque é um serviço. São profissões informais, mas que sustentam as famílias que, paralelamente, continuam em busca de algo voltado para a sua profissão.

Fonte: Em Tempo

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