Você é melhor que seu chefe e agora?

Dia desses, eu estava lendo alguns comentários no Facebook por conta de um post referente a chefes despreparados (e maldosos) e me surpreendi não só pela quantidade deles, mas pelo conteúdo, que expressava uma série de torturas e sofrimentos. Em alguns segundos me vi na Idade Média e presa numa masmorra, sofrendo toda a sorte de malefícios e humilhações. Gente quanto sacrifício!

Acho quase improvável alguém construir uma carreira inteira e não ter se deparado com um chefe tipo monstro. É quase um ritual de passagem! E isso não é coisa do passado, ainda há muita gente em cargos de liderança atuando e a gente se pergunta como pode?! Tantos profissionais talentosos e competentes desempregados, e resistem os “lobos em peles de cordeiros” no mercado!

Temperamento destemperado

Mas, pior que lidar com um chefe genioso, egoísta, que trama, que é parcial, etc., etc. e que usa sua inteligência para criar uma imagem social que, na verdade, não passa de uma máscara, é ter um chefe com qualificação inferior à nossa.

Porque aí vira mesmo uma tortura passar o dia, a semana, o mês e o ano tendo que aceitar atitudes e posicionamentos que – na sua maioria – não são os melhores para a empresa e pessoas, porém, por uma questão de hierarquia, o máximo que podemos fazer é respirar fundo, controlar os batimentos cardíacos e manter a paciência.

Ambiente comprometido

A reportagem de O Globo “Gestor inapto é um dos piores e mais comuns problemas nas empresas” de dezembro de 2017, afirma que ainda há uma hierarquia no trabalho e que muitas vezes esses gestores incompetentes assumem cargos elevados, mas sem preparo pra isso, gerando um baita desgaste no time, frustração do profissional e maus resultados para as organizações. E o problema está longe de acabar.

Trocando as bolas

Ainda de acordo com a matéria, geralmente, o problema acorre quando o profissional, usualmente um bom “técnico” assume um cargo de liderança, em que outras habilidades são tão importantes quanto ao conhecimento da área, como boa comunicação, senso de justiça, equilíbrio nas ações, ouvir as pessoas e outras características, mas, a mais importante – pra mim – é entender de gente!

O bom líder tem faro apurado, conhece seu pessoal e sabe se relacionar de modo a criar um ambiente proativo e humanizado! Sabe o potencial de cada um e incentiva a turma a ser cada vez melhor, conforme as características individuais, aumentando os resultados da empresa.

Incompetência e capacidade

No livro – com o título provocante – “Todo Mundo é Incompetente, Inclusive Você”, do educador e administrador Laurence Peter, há a citação que expressa o foco da obra, quando diz que “num sistema hierárquico, todo funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência”.

Dizem que Sócrates era um excelente professor, mas, seria um péssimo advogado. Neymar, que é um campeão nos gramados de futebol, provavelmente não será um Ayrton Senna nas pistas de corrida, o que poderia significar incompetência, mas como todos nós podemos desenvolver habilidades e temos capacidade, isso não é impossível!

Preparação contínua

Portanto, além de o conhecimento técnico o futuro gestor precisa estar preparado para assumir cargos de liderança e, mais, manter-se em aprendizado constante. Esses dois incríveis profissionais, além das habilidades, aprenderam e treinaram muito. Ninguém se torna um campeão sem esforço e dedicação!

Outro ponto a se considerar é que nem todos nós temos e nem queremos ter o perfil de líder e isso não é demérito. Às vezes a pessoa é um excelente profissional, no entanto, quando se vê à frente de uma equipe, a mágica não rola! Prefere seguir na equipe sem a responsabilidade de estar à frente!

Outros tempos

Antigamente o chefe era uma figura pouca exigida (e quase intocável) pela direção. A equipe, subordinada, era – grosso modo -, vigiada pra fazer tudo direitinho e entregar as atividades nos prazos. Ele fazia o intercâmbio junto à diretoria e pronto.

Agora, além de os processos normais, o líder é cobrado para manter a equipe mais motivada, coesa e rentável. E nesse clima de tantas incertezas essa tarefa não é pouca.

Tornando o dia melhor

Como o desemprego ainda é muito grande e não dá pra escolher emprego, muitas vezes acabamos aceitando um cargo inferior ao que tínhamos antes e às vezes essas mudanças são mais que físicas e interferem nos relacionamentos. E se o chefe não for muito bacana ou qualificado, seguem algumas dicas.

Preste atenção ao ambiente e atuação do chefe para ter uma base de como será o relacionamento com ele. Se observar que o comportamento dele é explosivo, procure ficar na sua e evite tomar partido ou se meter na situação.

Caso a bronca venha pro seu lado, encare com seriedade e profissionalismo, mas não tente justificar o que é injustificável, a gente sabe quando estão “procurando pelo em ovo”. Então o silêncio é a melhor saída.  Se for alguma situação real que esteja envolvendo a empresa, proponha várias soluções de modo a amenizar o impacto no comportamento de chefe e solucionar o problema da melhor forma.

Não leve pro lado pessoal, saiba que é uma questão profissional. Observe o que é real e como você está interpretando a situação. Muitas vezes, formamos uma imagem mental em relação a alguém e criamos uma determinada personalidade, por conta de algum episódio atípico e aí rotulamos as pessoas. Cuidado com as crenças que nos limitam. Procure mudar a percepção.

Como conviver?

No filme traduzido em português por “O Diabo Veste Prada”, de 2006, temos o estereótipo do chefe temperamental. A poderosa Miranda Priestly, intertrepada pela competente Meryl Streep, é editora-chefe de uma importante revista de moda, e deixa a recém-formada Andy quase louca.

A vilã testa a moça, que é sua assistente pessoal, de todas as formas. Apesar das dificuldades superadas por Andy, o que vemos ao longo da trama é uma transformação pessoal e profissional incríveis na assistente de Miranda, que passa a se conhecer melhor, descobre o que quer da vida e desenvolve uma segurança inabalável.

O desafio de cada dia

Todos nós temos alguém na vida, seja na esfera profissional ou seja na pessoal, que é um verdadeiro desafio. O que muitas vezes não enxergamos é que essas pessoas nos tornam melhores ao longo da jornada, pois testam nossos limites, nos fazem refletir, aprendemos a negociar, aceitamos com mais facilidade as atitudes alheias e assim vai.   É um verdadeiro caso de superação se focarmos dessa forma.

O chefe pode ser uma pessoa difícil e fazer de tudo pra implicar com a gente, mas a nossa reação é que será o diferencial. Se chegar num ponto inaceitável, você ainda pode escolher continuar ou partir pra outra. Nós sempre podemos escolher! Enquanto isso, esprema o limão e faça a sua melhor limonada!

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