Na visão do vice, cobrança atingiria apenas alunos com melhores condições financeiras e permitiria destinação de mais recursos públicos para educação de alunos mais pobres.

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quarta-feira (26) que é preciso pensar “seriamente” e “sem preconceitos” na possibilidade de estudantes com melhores condições financeiras pagarem para cursar universidades federais.

No ano passado, questionado sobre o assunto, o presidente Jair Bolsonaro disse ser contra a cobrança de mensalidades em universidades públicas.

O pagamento, segundo Mourão, poderia ser “canalizado” para financiar a entrada de alunos de menor renda no ensino superior em instituições privadas, principalmente num momento em que o governo registra rombos em suas contas e em que há poucos recurso para investimento público.

Mourão defendeu a ideia ao participar, por videoconferência, de uma aula magna de um grupo de educação privado. O vice-presidente foi questionado sobre o que pode ser feito para aumentar o número de jovens no ensino superior, em um cenário no qual parte considerável das famílias não tem condições de pagar mensalidades.

“Nós temos um paradoxo, que eu gostaria de trazer para todos, que é uma visão que eu tenho de longa data, que é nós termos dentro da universidade federal gente que poderia pagar os seus custos, né, recebendo um ensino de graça e, posteriormente, não devolvendo nada para o país. Simplesmente é formada e passa única e exclusivamente a lidar com a sua vida privada”, disse Mourão.

“[A cobrança em universidades públicas] é algo que nós temos que pensar hoje, seriamente, sem preconceitos, porque seria um recurso que poderia ser canalizado para aqueles jovens que precisam de financiamento e pagaram uma universidade privada. Seria uma compensação muito justa isso aí”, acrescentou.

Em conversa com jornalistas em 2019, presidente Jair Bolsonaro disse ser contra cobrança em universidades públicas

Em conversa com jornalistas em 2019, presidente Jair Bolsonaro disse ser contra cobrança em universidades públicas

O vice, que é general da reserva do Exército, deu como exemplo sua família. Ele relatou que seus filhos se formaram em universidades federais, mas que ele poderia ter pago as mensalidades.

Espaço fiscal

Na opinião do vice, os financiamentos públicos para universitários exigem espaço fiscal nas contas públicas e fontes de receita. O pagamento nas universidades federais reuniria recursos para essa finalidade.

“Uma fonte de financiamento seria, não tenho assim o dado numérico, mas ouso arriscar que uns 60% dos que frequentam universidade federal têm condições de pagar. O pagamento que eles fizessem serviria para que mais alunos ingressassem no setor privado e, consequentemente, nós aumentássemos o nosso percentual de jovens com curso superior”, disse Mourão.

Amazônia

Mourão também falou sobre as políticas do governo para preservação da Amazônia, alvo de críticas dentro e fora do país em razão de frases e atos do governo do presidente Jair Bolsonaro. O vice-presidente comanda o Conselho Nacional da Amazônia Legal.

Ele voltou a apontar a necessidade de preservar e proteger a região, casada ao desenvolvimento sustentável, e lembrou que a preservação da floresta está na agenda de empresas e de governos. Contudo, lamentou que o Brasil seja visto por “uma janela estreita e muitas vezes distorcida sobre o desmatamento ilegal e as queimadas na Amazônia”.

“Não negamos nem escondemos informação sobre gravidade da situação, mas também não aceitamos narrativas simplistas e enviesadas. Conservar e desenvolver são objetivos complementares para uma potência agroambiental como é o Brasil”, disse.

Mourão destacou que as Forças Armadas atuam no combate as queimadas e ao desmatamento, por meio da Operação Verde Brasil 2. Para ele, esses crimes ambientais “denigrem a imagem internacional” do país e prejudicam a economia.

“Os crimes ambientais deixam nosso país vulnerável a campanhas difamatórias, abrindo caminho para que interesses protecionistas levantem barreiras comerciais injustificáveis contra exportações do agronegócio”, afirmou.

Fonte: G1

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