A Quarta Revolução Industrial chegou e está revolucionando o planeta, transformando tudo o que conhecemos, ou conhecíamos! Hoje se uma empresa quiser se manter no mercado, crescer ou aumentar a produtividade e competitividade, fatalmente terá que investir em tecnologia em algum nível, não há como escapar. Da mesma forma, nós profissionais, temos que acompanhar a dinâmica do mercado de trabalho para manter a empregabilidade.

E, pelo incrível que possa parecer, com milhões de desempregados, subutilizados e os desalentados, há vagas de empregos que não são preenchidas por falta de profissionais capacitados. Veja um exemplo: reportagem da revista Exame online, publicada em maio, menciona que – de acordo com a estimativa realizada pelo The Network Skills in Latin America para 2019 – há um déficit de profissionais qualificados para atender à demanda de 161,5 mil vagas de tecnologia. Detalhe, estamos entre os 10 maiores mercados de TI do mundo! Paradoxo, não?!

Por que isso acontece?

Bom, em primeiro lugar é preciso lembrar que brasileiro deixa tudo pra última hora. Agora que estamos nos despertando para a importância da tecnologia. Enquanto países europeus e asiáticos, por exemplo, estão há décadas acordados, planejando e investindo em tecnologia, nós aqui, ainda estamos correndo pra apagar o incêndio da corrupção, que se espalhou pela maioria das instâncias do poder!  Esse esforço consome muita energia, desorienta o mercado e nos deixa sem saber – ao certo – qual rumo seguir!

Além disso, os governos, em todas as esferas, não trabalham em sintonia, o que acabou gerando apenas algumas ações pontuais, desvinculadas de um planejamento maior. De poucos anos pra cá o governo federal, alguns estados e municípios começaram a envolver em seus planos a tal da tecnologia e da inovação de forma mais atuante. Estamos engatinhando e escorregando!

E o que fizemos em relação à capacitação profissional?

Menos ainda! Recentemente deu-se início a um movimento para que os profissionais se qualifiquem, se reinventem, façam alguma coisa porque “descobriu-se” que com a Robótica, Inteligência Artificial e etc. não haverá emprego pra todos!

Os mais ligados, necessitados ou os que veem o cenário como oportunidade, correram pro empreendedorismo, o que, obrigatoriamente, faz esse pessoal se preparar o tempo todo. E o resto do povo? Bom, essa é uma questão muito delicada! A maioria está na informalidade, sobrevivendo por meio do famoso “bico”, mas, até quando o bico vai existir pra tanta gente?

O desafio central

Claro que a análise aqui é rasa, talvez a pretensão maior seja deixar um convite pra questionar como estamos nos preparando pra termos algum espaço nesse “novo mundo digital”! De qualquer modo, não podemos esquecer que – nas últimas décadas – a educação brasileira foi deixada de lado. As taxas de analfabetismo e analfabetismo funcional são altas.

Enquanto se investiu muito em programas de mestrados, doutorados e afins, inclusive com muitos pesquisadores – após a formação – indo morar em outros países e levando na mala todo o conhecimento adquirido, a educação de base foi empurrada pra frente! É uma geração perdida!  O que esses milhões de jovens irão produzir pro Brasil? Continuarão aumentando as estatísticas dos nem-nem?

Até quando vamos manter o modelo de escola que só repete conteúdos, que em boa parte são obsoletos e não aderem às reais necessidades do mercado? Esse modelo de ensino precisa ser reestruturado com urgência, o que inclui não só uma mudança no conteúdo programático, uma gestão mais moderna e eficiente, mas, sobretudo, que acompanhe a dinâmica de um mercado profissional cada vez mais exigente, que não quer apenas um bom profissional, mas também um bom ser humano, que seja preparado para atuar nessa realidade! Se não, vamos continuar com vagas sobrando por muito tempo!

Cristina Monte
Cristina Monte é jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É articulista-convidada e colunista da Coluna Mai$ Negócio$, do Jornal do Commercio e apresenta as notícias da Coluna no AmazonPlay TV Digital. Atualmente, além dos projetos mencionados, a jornalista atua como assessora de Imprensa, palestrante e estuda o curso de Coaching.

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