Nos últimos anos, o empreendedorismo tem ganhado terreno no Brasil e além de ter se tornado uma alternativa pra muita gente desempregada, é o principal caminho para os que desejam empreender e ter uma vida mais independente. Acontece que no nosso imaginário, toda vez que pensamos em empreendedorismo idealizamos aquele rapaz de calças jeans, cheio de espinhas e apaixonado por startups, que numa garagem desenvolve – com alguns amigos – um software revolucionário! Essa não é a realidade!

A paisagem do senso comum tende a mudar por conta da população brasileira, que envelhece rapidamente e encontra no empreendedorismo um novo recomeço seja como meio de sobrevivência ou – em muitos casos – opção para investir os recursos conquistados ao longo da estrada.

Os experientes

Falando em imaginário também precisamos atualizar o nosso modelo mental em relação à figura do que seja um “idoso”. Ainda guardamos o estereótipo da velhinha arqueada, banguela e de bengala! Isso também não é a realidade! Hoje, homens e mulheres com mais de 60 anos estão nas academias, nas praias, nas faculdades e no empreendedorismo.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os idosos somam 30,3 milhões e seremos 68,1 milhões em 2050. Também nesse ano – de acordo – com as projeções, seremos o 6º país mais velho do mundo. Seguindo o cálculo, uma década subsequente, em 2060, um em cada quatro brasileiros terá mais de 65 anos.

E é claro que boa parte dessa turma estará atuando, cada vez mais, no empreendedorismo. Isso aponta dois vieses: primeiro, abrem-se frentes de trabalho para essa população e, segundo, estamos falando de consumidores e um gigantesco mercado a desbravar, já que há particularidades e singularidades que ainda não estão sendo exploradas. Já está na hora de empresas e governo olharem mais atentamente para essa faixa da população.

Economia prateada

A startup Pipe Social, realizou um estudo chamado “Tsunami Prateado”, o qual estima que a Economia Prateada, referente à soma de todas as atividades econômicas associadas às necessidades das pessoas com mais de 50 anos e os produtos e serviços que elas consomem diretamente ou virão a consumir no futuro, seja a terceira maior atividade econômica do mundo, movimentando US$ 7,1 trilhões anuais.

Empreendedorismo da necessidade

Uma pesquisa recente do Sebrae mostra que o número de empreendedores entre a faixa dos 50 e 59 anos cresceu 57% nos últimos treze anos, a maior taxa no período, seguida pelo salto de 56%, entre as pessoas acima de 60 anos. No mesmo estudo, 46,8% dos empresários com mais de 55 anos disseram que investiram em um negócio próprio por necessidade, principalmente por conta da falta de oportunidades no mercado de trabalho.

As cinquentonas investidoras

E se esse público está no empreendedorismo, também investe. Uma pesquisa inédita no Brasil realizada pela Anjos do Brasil em parceria com a Ella Impact, mostra que 48% das mulheres investidoras têm mais de 50 anos de idade, já quando o assunto é potenciais investidoras, a porcentagem cai para os 32%. Elas também estão encontrando no empreendedorismo uma força e posição para vencer num cenário ainda machista.

O mais importante e necessário ressaltar é que o empreendedorismo é o caminho para que as pessoas com mais de 60 anos possam manter a dignidade, cidadania e ter voz ativa na nova economia.

Cristina Monte
Cristina Monte é jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É articulista-convidada e colunista da Coluna Mai$ Negócio$, do Jornal do Commercio e apresenta as notícias da Coluna no AmazonPlay TV Digital. Atualmente, além dos projetos mencionados, a jornalista atua como assessora de Imprensa, palestrante e estuda o curso de Coaching.

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