O impacto da pandemia na geração de empregos atingiu com mais força as trabalhadoras. Tem mais mulheres sem emprego do que trabalhando.

O desemprego na pandemia atingiu com mais força as trabalhadoras no Brasil. De acordo com um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, a participação das mulheres no mercado de trabalho é a menor em 30 anos.

Em junho, Núbia estava feliz: tinha acabado de ser contratada depois de meses de procura. Mas o emprego como recepcionista durou só 12 dias.

Não foi só com a Núbia. Tem mais mulheres fora do mercado de trabalho do que dentro dele. A participação delas, que vinha em uma tendência de alta nas últimas três décadas, caiu para apenas 46,3% entre abril de junho de 2020. Em comparação com o mesmo período de 2019, a queda foi de 7 pontos percentuais. A participação dos homens no mercado de trabalho também diminuiu, mas menos: 6 pontos percentuais.

O pesquisador do Ipea vê algumas razões para a perda de espaço das mulheres. “O primeiro é que as mulheres estão em alguns dos setores que foram muito afetados. Segundo, elas têm uma carga maior de trabalho não remunerado em casa, esse trabalho aumentou na medida que as escolas ficaram fechadas e terceiro lugar elas foram mais beneficiadas com o auxílio-emergencial que tinha o objetivo de manter as pessoas em casa”, diz Marcos Hecksher.

“Soma se a isso, também, as questões do trabalho remoto. Mulheres inseridas em profissões, em ocupações que também foram mais afetadas pela pandemia, setor de serviços, hotelaria, que dificultam os exercícios dessas atividades de forma remota”, afirma Cecília Machado, professora e pesquisadora da FGV.

A maior queda na participação no mercado de trabalho foi entre as mulheres que tem filhos pequenos, de até dez anos. Nesse grupo, a proporção de mulheres empregadas ou procurando trabalho nesse grupo despencou de 58% no segundo trimestre de 2019 para pouco mais de 50%. E são elas as que mais têm dificuldade de voltar a trabalhar neste momento ou mesmo de procurar uma vaga.

Os filhos de um e dois anos que a Larissa cria sozinha exigem dedicação em tempo integral. Até para gravar a entrevista é difícil. Ela pediu demissão do trabalho em abril, logo depois que as creches fecharam. Mas como no caso dela, o auxílio emergencial – que deveria vir em dobro, R$ 1.200 – não foi aprovado, ela teve de pedir ajuda para o pai e tenta um trabalho de meio período. Até agora, nada.

“A pergunta que mais fazem é: ‘quantos anos seus filhos têm, com quem poderia ficar e se tão na creche ou se não tão’. É de doer o coração de qualquer mãe”, conta a garçonete desempregada Larissa da Costa Nascimento.

Fonte: G1

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