Neglected lonely child

Fico me perguntando o que está acontecendo no Brasil para que os números absurdos de casos de violência sexual contra as nossas crianças e adolescentes não parem de aumentar?! Seria a bendita Educação caduca, incompleta e incompetente que – há décadas – vem deixando de cumprir seu papel no que diz respeito à cidadania e acaba contribuindo para a formação desses abusadores desajustados? Seria a facilidade do acesso ao lado negro e podre da internet que incentiva o consumo de pedofilia e leve o desequilibrado a cometer esse tipo de crime? Seriam as novelas com teor sensual, as músicas com letras claramente sexuais, que induziriam a esse caminho tão destrutivo?

Seria, ainda, talvez, a falta de educação em casa que vem passando de geração em geração, reproduzindo seres sem o mínimo de respeito e pudor, que quando adultos “acham” natural esse crime? Enfim, são tantos “seriam” que podemos ficar aqui horas e horas tentando encontrar o (s) motivo (s) que culmine (m) nessa barbaridade, que a mente insiste em encontrar uma explicação, mas em vão será! Porém, se não podemos retroceder no tempo e evitar o que já aconteceu, podemos – a partir de agora – contra atacar com informação e conhecimento, armas libertadoras da prisão da ignorância!

Números da maldade 

Os números são assustadores: todos os santos dias, o Disque 100 (Disque Direitos Humanos) recebe 50 casos de crimes sexuais contra menores, de acordo com a reportagem da Agência Brasil.

E é claro que nessa estatística não estão inclusos os casos em que os menores não têm a quem recorrer e nem sabem que podem ligar, sem contar o medo de retaliação e espancamentos, já que esses menores de idade acabam sendo manipulados psicologicamente e abusados fisicamente – geralmente – pelas pessoas próximas e que deveriam ser suas guardiãs. Isso talvez seja o que mais machuque!

Pelo incrível que possa parecer, 70% dos casos registrados apontam que o abuso foi cometido na casa do abusador ou da vítima. Por ser um ambiente privado, tanto a polícia quanto as pessoas de fora do convívio não tem noção de que isso esteja acontecendo, o que ajuda na perpetuação e aumento no número dos casos de abusos.

Ainda, de acordo com o texto, conforme dados divulgados pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o Disque 100 recebeu 76.216 denúncias em 2018 envolvendo crianças e adolescentes, sendo que 17.093 desse total se referiam à violência sexual.

A maior parte delas é de abuso sexual (13.418 casos), mas havia também denúncias de exploração sexual (3.675). Só nos primeiros meses de 2019 são 4.736 denúncias recebidas de violência sexual.

Do it

E se você pensa que não pode fazer nada, pode sim! O assunto é sério e pode envolver um sobrinho, afilhada ou outra criança ou adolescente da nossa família, ou de outra qualquer. O dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, é a data pra trazer à tona esse tema que é tabu e vive como poeirinha embaixo dos tapetes de muitas casas. Mas, todo dia é perfeito pra falar disso.

E para conscientizar os jovens, o Centro de Integração Empresa-Escola preparou uma semana com o tema “Enfrentamento ao combate e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes”, para a turma de 14 a 22 anos, que atua profissionalmente nas fábricas e indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM).

Tive a honra de ser convidada para fazer uma palestra na semana e o ponto-chave na minha apresentação foi deixar algumas dicas para que o adolescente evite, acabe com o abuso ou denuncie. E, principalmente, tenha a conscientização do respeito e cuidados com as crianças.

Dicas

Em primeiro lugar é preciso observar o comportamento de crianças e adolescentes, qualquer mudança de atitude, choro fácil, sinais de tristeza, ou mesmo machucados físicos são ocorrências que precisam ser verificadas.  Os pais, irmãos ou tutores devem estar em alerta em relação a isso. Criar comunicação e cumplicidade com as crianças ou adolescentes ajuda na hora do diálogo sobre algo que esteja acontecendo nesse sentido.

No caso do grupo de risco, buscar a ajuda de uma pessoa de confiança é essencial, conte tudo o que está acontecendo. Não deixe que nenhum adulto toque as partes íntimas sem consentimento. Sexualidade faz parte da vida, mas abuso é outra situação. Denuncie o caso se sentir-se violado sexualmente seja lá por quem for.

E para o restante da sociedade, jamais se submeta ou feche os olhos ao perceber que essa situação está ocorrendo. Todas as vezes que nos silenciamos, passamos a ser coniventes e se não encontramos explicação pra esse absurdo, que não deixemos a poeirinha do abuso estagnar a nossa razão e nem o nosso coração!

Cristina Monte
Cristina Monte é jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É articulista-convidada e colunista da Coluna Mai$ Negócio$, do Jornal do Commercio e apresenta as notícias da Coluna no AmazonPlay TV Digital. Atualmente, além dos projetos mencionados, a jornalista atua como assessora de Imprensa, palestrante e estuda o curso de Coaching.

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