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Quem não se comunica bem, perde oportunidades!

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Quem não se comunica, se trumbica!“. A frase cunhada pelo imortal Chacrinha lá pelos idos da década de 60, ganha cada vez mais importância no século XXI. Todos nós estamos – o tempo todo – nos apresentando por meio da nossa imagem e, além do marketing pessoal, é justamente na comunicação que consolidamos quem somos. Se comunicar bem eleva a nossa confiança e segurança, imputando credibilidade, tão almejada por pessoas e empresas.

O dom de encantar

Ele recebeu o nome de José Abelardo Barbosa de Medeiros. Pernambucano de Surubim, na vida pública era apenas chamado de Chacrinha ou velho guerreiro! Nos palcos de seus programas, figuras como Roberto Carlos, Raul Seixas, entre outras, deram os primeiros passos rumo ao estrelato. Dono de um faro apurado, Chacrinha percebia o sucesso de longe. Foi um dos melhores comunicadores que tivemos.

E não pense você que ele encantava apenas as massas populares, as quais se viam hipnotizadas pelos bordões engraçados e pitorescos, mas, também, a classe artística e a sociedade em geral se encantavam com a forma simples e direta do Chacrinha. Um homem de boa percepção e conhecedor de todas as gentes.

Tanto pra falar e nada a dizer

Agora todo mundo fala, fala, fala, mas poucos têm algo considerável a dizer! O avanço da tecnologia democratizou espaços nas redes sociais, uma revolução que deu voz a milhões de pessoas, o que é saudável.

Lá, todo mundo tem seus minutos de fama. Entretanto, me pergunto até que ponto nós estamos tirando melhor proveito dessa comunicação?! Sem contar a avalanche de informações que desinformam e o engodo das fakes news…

O poder da comunicação

A arte de se comunicar é realmente uma habilidade para poucos. Falar bem, por exemplo, pressupõe uma interação que vai além de meras frases soltas ao vento que se diluem ao nada, ao vazio. O “olho no olho” e falar com o coração mais do que com os lábios diferenciam os que falam dos que dizem. É o poder de receber no nosso ser um pouco daquele ser que diz! Mas, há uma interação, troca.

Aquele que escreve com maestria conversa com a gente como se estivesse no sofá de casa, tomando um café ou apenas papeando conosco – modestamente – num banco de praça. Porque não é o encadeamento de frases, o uso de advérbios ou mesmo a concordância verbal ou nominal que proporcionam o enlace entre emissor e receptor. É algo que transcende as regras gramaticais e a gente se sente envolvido, e passa a fazer parte daquela trama por anos a fio.

Diga e será promovido

Mas, como estamos longe de chegar a esse nível e o sol brilha pra todos nós, recorro ao meu amigo jornalista, escritor e palestrante Elias Mattos para nos dar um help. Conforme o Elias, se comunicar bem é fundamental e diz que “a comunicação nestes novos tempos tem papel decisivo e pode alavancar de forma visível a vida profissional daqueles que estão antenados às mudanças pontuais que o mercado global do trabalho sinaliza”.

Concordo plenamente com o Elias e venho há tempos comentando que a comunicação é uma das habilidades necessárias nesse novo ambiente empresarial altamente instável, o qual urge por profissionais que, além de se expressarem bem com os diferentes públicos, ainda façam uma boa leitura do cenário e possam tomar as melhores decisões.

Quem se comunica bem no ambiente corporativo se torna um componente importante para o ecossistema interno e externo, porque demonstra bom raciocínio, firmeza e tem melhor entendimento das estratégias.

A pessoa comunicativa é simpática e bem recebida. Esse fácil acesso a coloca na dianteira na hora da contratação ou da promoção, no momento de uma negociação, na hora de receber e lidar com clientes ou potenciais, por exemplo, pois todos nós gostamos de estar perto de gente com esse perfil.

Comunicação ineficiente

Agora, ao contrário, o colaborador que não consegue se expressar bem, não mantém um bom tom de voz, não consegue olhar no olho do seu interlocutor, começa a falar sem uma construção lógica, comprometendo o raciocínio, provoca ruídos e acaba gerando desentendimentos, mostra fragilidade e insegurança, perde oportunidades, pois, dificilmente será promovido ou conquistará cargos mais interessantes. Indica baixa reputação!

Nesse sentido, Elias fala que “quem for acomodado, tiver a oralidade deficiente, demais dificuldades de expressar suas ideias, demonstrar lerdeza de raciocínio, gagueira, logo evidenciará falta de prática”.

“São apresentações que esbarram em vícios de linguagem, pobreza de linguagem. Assim, é imperioso e real que o candidato trate de mudar. Quem tem juízo vai tomando um banho de conhecimentos e atitudes proativas, corrigindo erros de expressão, atualizando a leitura, treinando suas performances, buscando um curso de expressão verbal, antes que seja tarde”, completa o autor do livro Quem tem medo de falar em Público?.

Dá pra melhorar

E se não nascemos com o dom do Chacrinha, a gente pode desenvolver a habilidade de se comunicar melhor. Pode ser buscando um bom curso de oratória ou de teatro que ajuda a pessoa a se soltar mais, a perder a timidez e, portanto, acaba contribuindo para uma comunicação mais assertiva.

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Se se sentir que é uma questão de baixa estima ou algo parecido a dica é contar com a ajuda de um psicólogo, por exemplo, que pode auxiliar o indivíduo a chegar à raiz do problema e saná-lo. Às vezes, um treinamento na frente do espelho, gravar áudios e/ou vídeos também auxiliam pra melhorar o desempenho.

Na dúvida, silêncio

De vez em quando alguma empresa ou instituição dá um “tiro no próprio pé” e fala bobagem. A minha sábia avó falava pra gente, desde criança, que “boca calada não entra mosquito!”. Gente é preciso usar filtros e evitar despejar um monte de tolices.

Empresas, só comuniquem o que está certo, assinado e estruturado por meio de estratégias objetivas, verdadeiras, coesas, alinhadas e etc.

É temeroso quando executivos vão à imprensa prometendo mundos e fundos e depois se constata que eram improcedentes, por exemplo. Comunicação é coisa séria! Quando essa situação acontece, toda a credibilidade construída, vai pro ralo. Tanto a imagem da empresa quanto a do profissional.

Torre de babel

Também, é bom compreender que na comunicação mais que falar é preciso ouvir! E isso pouca gente está disposta. Por isso, clientes falam, mas não são atendidos pelas empresas. Empresas falam, mas clientes não entendem. Professores passam aqueles conteúdos chatos e pesados e os alunos não aprendem e, menos, não apreendem.

As mulheres dizem uma coisa e os maridos interpretam outra totalmente diferente. Eles falam, mas elas não compreendem. E o mesmo acontece em outros níveis e tipos de relacionamentos. O gestor ou líder pede uma tarefa e o subordinado faz outra.

A chave

Fator essencial para a boa comunicação é compreender o receptor! A partir do momento que você entende o universo, os costumes e crenças, a faixa etária, enfim, perfil de consumo e outras variáveis, você consegue alinhar o seu discurso ao público em questão e utilizar o canal mais apropriado para efetivar a comunicação.

Você não precisa ter personalidade titubeante, mas pode – nessa abordagem – melhorar o nível de compreensão entre emissor e receptor, estabelecendo um contato ou relacionamento agradável e produtivo, se for o caso.

É preciso sair dos nossos muros e observar o do interlocutor pra, então, dizer a linguagem dele. Compreendeu agora porque o Chacrinha era o Chacrinha?

Cristina Monte
Cristina Monte é jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É articulista-convidada e colunista da Coluna Mai$ Negócio$, do Jornal do Commercio e apresenta as notícias da Coluna no AmazonPlay TV Digital. Atualmente, além dos projetos mencionados, a jornalista atua como assessora de Imprensa, palestrante e estuda o curso de Coaching.

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