Profissional é uma das exigência da Lei Geral de Proteção de Dados, que entra em vigor em agosto de 2020; salário médio deve chegar a R$ 20 mil

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), sancionada em agosto do ano passado, tem como principal objetivo estabelecer regras de coleta e tratamento de informações pessoais de clientes e usuários por parte de empresas públicas e privadas no Brasil. Com a norma, que entra em vigor em agosto de 2020, muitas empresas também precisarão de um novo profissional: o Data Protection Officer (DPO).

A figura do encarregado de dados também é um dos aspectos presentes no Regulamento Geral de Proteção de Dados (General Data Protection Regulation – GDPR), apresentado ao Parlamento Europeu em 2016.

Segundo Vanessa Lerner, especialista em LGPD do Dias Carneiro Advogados, o DPO tem a função de ser o canal de comunicação entre a empresa, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), órgão federal regulador, e o titular dos dados. “Ele deve esclarecer as políticas da empresa e as decisões tomadas em relação à proteção de dados e instruir a organização de como garantir o cumprimento da Lei”, afirma Vanessa.

A consultoria especializada em recrutamento e seleção Michael Page estima que a procura pelo profissional deva crescer 70% até fevereiro de 2020. Em agosto, quando a lei entra em vigor, a procura deve aumentar para 80%. De acordo com a consultoria, a demanda é especialmente para as empresas que detêm e tratam grandes volumes de dados, como bancos, empresas de serviços financeirosdigital e e-commerce.

O perfil do DPO

Luana Castro, gerente da área de TI da Michael Page, conta que há um perfil já detalhado pelas empresas na hora de contratar esse executivo. “Geralmente já é alguém que vem da área de segurança da informação e que tem muito domínio em informação de dados”, diz. O profissional também precisa ter domínio de conhecimentos interdisciplinares, como governança de tecnologiacyber security e, claro, da nova legislação.

Mesmo com nova profissão em alta no Brasil, o cargo de DPO ainda está em processo de maturação, segundo a gerente. Por conta do nível de experiência e a bagagem de conhecimento necessária para a função, o salário do Data Protection Officer (DPO) pode ficar em torno de R$ 20 mil.

Empresas já contam com DPO

Em algumas empresas, a corrida pela contratação destes profissionais já começou. No ano passado, a Marketdata, a empresa de marketing orientado a dados do Grupo WPP, contratou o especialista Claudinei Vieira como DPO.

Claudinei Vieira, DPO da Marketdata (Foto: Divulgação)

Formado em Ciência da Computação pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) com MBA em Tecnologia e Inovação, Claudinei tem o desafio de desenhar o plano de adequação da empresa à Lei Geral de Proteção de Dados. “Se há algum vazamento de dados ou o uso de informações pessoais sem base legal, é o DPO quem deve responder sobre isso na empresa”, afirma o executivo.

Andrea Mattos integra a recém-criada área de compliance da Vivo desde agosto de 2019. Mas sua trajetória na empresa começou em 2002, na área jurídica da Telefônica Brasil. Agora, como Diretora de Compliance e DPO, Mattos atua em um projeto multidisciplinar preparatório na companhia, como parte do processo de adequação à LGPD.

Para Breno Oliveira, Vice-Presidente Jurídico da Vivo, a contratação de um DPO se tornou essencial para orientar a empresa sobre as melhores práticas em relação à proteção de dados e privacidade.  “É um profissional que se baseará não apenas no cumprimento de questões jurídicas, mas também nas melhores práticas do mercado nacional e internacional”.

Fonte: Época Negócios

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