Negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos brasileiros tiveram um ano recorde em capital e caíram no gosto popular. Mas ainda é difícil achar talentos

 

Sede da Loggi, em São Paulo: startup foi uma das investidas pelo SoftBank e trabalha pesado na atração de talentos (Foto: Loggi/Divulgação)

2019 já entrou para a história como o melhor ano da história para os negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos brasileiros. Mas um desafio em especial continua: conseguir funcionários com experiência prévia em startups e com habilidades técnicas mais recentes.
A análise é unânime entre especialistas ouvidos por Pequenas Empresas & Grandes Negócios para traçar um balanço deste ano para o ecossistema brasileiro de empreendedorismo e inovação.

A novidade mais aparente, claro, foram os cinco novos unicórnios nacionais (startups com avaliação de mercado igual ou superior a US$ 1 bilhão): Loggi, Gympass, Quinto Andar, EBANX e Wildlife Studios. “É uma métrica que mostra grandes oportunidades e a maturidade de bons empreendedores”, afirma o diretor do Google for Startups no Brasil, André Barrence. Mas outros pontos foram destaque em 2019.

“Vimos resultados que consolidam o que foi plantado há vários anos. Para quem estava no ecossistema desde o começo, é maravilhoso acompanhar essa evolução”, afirma Alan Leite. Ele é fundador da Startup Farm, aceleradora de startups criada em 2011.

Investimentos e apelo mainstream
Segundo Pedro Waengertner, cofundador da aceleradora ACE, o país pode bater a casa dos R$ 9 bilhões de investimentos de capital de risco. No ano passado, as startups brasileiras captaram US$ 1,3 bilhão (ou R$ 5,3 milhões) em aportes.

É um valor principalmente puxado pelo conglomerado japonês de telecomunicações SoftBank, que criou neste ano um fundo de US$ 5 bilhões para startups da América Latina. Mas outros fundos internacionais também começaram a apostar nos negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos brasileiros – como o Fifth Wall Ventures e o General Atlantic, que investiram no agora unicórnio Quinto Andar. “Os fundos de fora, especialmente os dos Estados Unidos, perceberam o país como uma opção interessante de investimentos”, diz Waengertner.

Investidores brasileiros também foram atraídos para as startups, diante de uma taxa básica de juros (Selic) em queda livre. “Temos um novo investidor apostando em venture capital, que aceita tomar riscos e diminuir sua liquidez em troca de maiores retornos. A motivação inicial pode ser a queda da Selic, mas logo ele percebe como é um investimento que gera competitividade, emprego e distribuição de renda no país”, afirma Daniel Chalfon, sócio da Astella Investimentos.

Outro ponto alto para as startups neste ano pode ser visto na televisão, nos anúncios em estações de metrô ou em automóveis e motos: esses negócios caíram no mainstream, ou gosto popular. “Vemos uma maior adoção de consumidores. Elas chegaram a um público que não é necessariamente de classe A ou B e já estão influenciando os mercados de consumo, de marketing e de recursos humanos”, afirma o cofundador da ACE.

Barrence, do Google for Startups, ressalta como esse gosto popular se reflete no crescimento de ecossistemas de inovação pelo Brasil. São mais de 30 comunidades de startups espalhadas pelo país, e esse número pode aumentar. “Precisamos criar mais densidade para além das capitais, como Belo Horizonte, Florianópolis, Recife e São Paulo.”

Por fim, Chalfon destaca o aumento no número de empreendedores de segunda viagem: aqueles que já criaram uma empresa de sucesso e resolvem fundar novos empreendimentos. “Esses donos de negócios voltam ao mercado com uma velocidade maior, porque já aprenderam a construir operações e levantar capital”. Exemplos são Florian Hagenbuch e Mate Pencz, da startup imobiliária Loft, e Daniel Wjuniski, da marca de cosméticos nativa digital e verticalizada Sallve.

Um grande desafio: achar talentos
As startups brasileiras ainda precisam superar diversos desafios, desde conversar com o governo sobre regulações e promover o ainda subdimensionado mercado de negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos brasileiros.

Mas o maior desses desafios é achar talentos com experiência prévia em startups e com habilidades técnicas mais recentes. “A gente continua com déficit de funcionários em relação à demanda existente. Formar profissionais estratégicos continua sendo um desafio”, diz Barrence, do Google for Startups.

Para Leite, da Startup Farm, essa falta de talentos gera um custo de contratação “que assusta” – especialmente nas grandes capitais brasileiras, como São Paulo. “Não são apenas funcionários em desenvolvimento de software, mas também profissionais de vendas que entendam das estratégias mais recentes, do growth hacking ao marketing digital”, completa Waengertner, da ACE.

As startups já estão se movendo para solucionar o problema. A Loggi, por exemplo, abriu um escritório em Lisboa (Portugal) e está com 100 vagas abertas para brasileiros e portugueses. A Gympass possui um escritório de inteligência artificial em Nova York (Estados Unidos) e também em Lisboa, após adquirir a startup local Flaner.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

 

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