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Tecnologia, capitalismo cognitivo e RH

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Desde que o mundo é mundo desejamos uma vida mais confortável e repleta de comodidade. Que diga a família “The Flintstones”, desenho animado que retrata uma família de classe média da Idade da Pedra que vive confortavelmente com seus aparatos tecnológicos.

A criatividade, instigada por ideias inovadoras e pelo desenvolvimento tecnológico, impulsionou-nos a criar produtos e processos que transformam desejos em realidade.  A essa incrível capacidade de aplicar técnicas capazes de criar, modificar ou melhorar as coisas convencionou-se chamar de inovação tecnológica.

A descoberta do fogo, a invenção da roda, a produção de artefatos de pesca e caça, a xilografia, o tear e, mais centenas de milhões de coisas que existem resultam da inovação tecnológica, a qual contribuiu para que a sociedade capitalista firmasse uma nova organização social baseada na divisão de classes e no lucro, fortalecendo o capitalismo industrial.

Quando o tempo mudou de tempo

Entretanto, ao longo da história, as transformações tecnológicas foram ocorrendo gradualmente, o que não impactava na vida cotidiana das gerações que iam chegando, pois éramos capazes de absorver e acompanhar o ritmo. Acontece que depois dos anos 70, com a intensificação da globalização e a criação de novos sistemas de informação e comunicação, a tecnologia passou a comandar a sociedade, sistematizando a tal da aldeia global num ritmo alucinado.

O mundo encolheu

O conceito “aldeia global” proposto pelo filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan descreve a transformação planetária causada pela tecnologia, a qual – conforme ele – reduziu o mundo apenas numa aldeia interligada econômica, política, social e culturamente.

Estágios do capitalismo

E se Karl Marx criticava o progresso técnico em virtude da valorização do capital em detrimento à massa operária, temos assistido – com a intensificação da globalização -, o surgimento do capitalismo cognitivo que substitui o capitalismo industrial e aponta novas direções.

O pensamento do professor francês Yann Moulier-Boutang diz respeito a um terceiro estágio do capitalismo, pois, além do capitalismo mercantilista e industrial, estamos na era do capitalismo cognitivo, relacionado ao trabalho imaterial. Agora são os trabalhadores cognitivos que entram em cena enquanto as máquinas trabalham. É a vez do capital intelectual que se vê diante de uma enxurrada de informações geradas diariamente.

Informação, eu quero uma pra viver

Só para se ter uma ideia, reportagem do jornal O Globo, apresentou um estudo da EMC, empresa líder do mercado internacional de armazenamento de dados, divulgado em 2014,  o qual mostrava que havia disponíveis no mundo quase 1 septilhão de bits de informação — ou o número 1 seguido de 24 zeros, quase ao de estrelas que conhecemos no céu, de acordo com a Agência Espacial Europeia.

Em virtude disso, a estimativa é que, até 2020, o número de dados armazenados em computadores, servidores, celulares, smartphones e tablets seja, no mínimo, multiplicado por seis; um volume tão gigantesco, que os especialistas passaram a medi-lo em termos de distância da Terra à Lua. Aí chegamos a um ponto-chave: o que fazer com tantos dados? O que é realmente útil? Se antes o problema era mapear as informações, agora a questão é decodificá-las e usá-las analiticamente aos negócios.  Trata-se não mais da quantidade de dados, mas, da qualidade!

Como consequência desses tempos, os RHs também estão vivendo o dilema da revolução tecnológica, pois são bombardeados por inúmeras ferramentas tecnológicas que sabe-se-deus-pra-que-servem. O gestor precisa analisar quais – realmente – agregam valor ao negócio. Não adianta manter inúmeros sistemas em funcionamento se, na prática, não se traduzem em reais benefícios.

Tecnologias que otimizam a gestão do RH

Nessa garimpagem de benefícios identifiquei duas empresas em Manaus que têm apresentado soluções tecnológicas interessantes para a gestão do RH. Uma delas é a RedMaxx Consultoria – Inteligência em Negócios e da Up Aceleradora, que está há 10 anos no mercado e é focada em Ciência de Dados, Big Data e Inteligência Artificial, e desde o ano passado vem focando em Inovação Aberta/Corporativa para entrega de projetos tecnológicos inovadores que necessitem de Pesquisa e Desenvolvimento.  E a outra é a MRM Sistemas – Soluções em TI, que oferece um sistema de Gestão de Pessoas com Marcação de Ponto, mais barato e de qualidade aos empresários.

Yes, nós temos tecnologia na selva

Para facilitar o processo de Recrutamento, a  RedMaxx cria sistemas que integram as informações e facilitam a rotina do pessoal que precisa de muito tempo pra analisar os currículos. Conforme Márcio Lins, CEO e fundador da empresa, cada abertura de vaga recebe – em média 250 – candidatos. Imagina ter um sistema que contribui para recrutar e reter os melhores talentos, além de reduzir custos operacionais?

Essa tecnologia já vem sendo implementada nas organizações manauaras. “A tecnologia hoje existente permite que gestores de RH coletem informações suficientes dos candidatos a fim de avaliar o processo de recrutamento, suas métricas de desempenho e o seu ROI, compartilhando todos estes resultados com outras partes interessadas da organização”, me disse Marcio.

Já Marcelo Reis Mendes, gestor da MRM, percebeu um nicho de mercado quando constatou que era muito caro para o empresário investir em um relógio de ponto (composto por bobina de papel para impressão do comprovante de ponto, 01 computador para gerenciamento dos dados e leitor biométrico acoplado) e criou uma solução barata que reduz os custos significativamente, pois o empresário precisa apenas adquirir o leitor biométrico acoplado.

Segundo ele, “o sistema calcula e exibe as horas trabalhadas, atrasadas, extras, faltas, banco de horas, abonos, ocorrências, cartão de ponto, gestão de escalas de revezamento e relatórios gerenciais ao gestor da empresa”. Além disso, outro benefício se refere à centralização dos pontos dos funcionários. Se o funcionário trabalha em vários turnos e locais, o sistema permite a unificação dos registros independentemente de variáveis, evitando perda de dados.

Enfim, dessa forma o RH aproveita o tempo para pensar mais estrategicamente. E viva o capitalismo cognitivo!

Cristina Monte
Cristina Monte é jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É articulista-convidada e colunista da Coluna Mai$ Negócio$, do Jornal do Commercio e apresenta as notícias da Coluna no AmazonPlay TV Digital. Atualmente, além dos projetos mencionados, a jornalista atua como assessora de Imprensa, palestrante e estuda o curso de Coaching.

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