Olá, gente linda da Amazônia, é com muita honra, prazer e alegria, que iniciamos essa conversa falando das oportunidades e desafios do comércio exterior brasileiro.

Faremos um panorama geral do comércio exterior brasileiro e daremos um enfoque especial para o Amazonas. Terra linda e maravilhosa cujo DNA corre em minhas veias. Vamos nessa!

Entendendo melhor o Comércio Exterior

Para falar de comércio exterior, precisamos conhecer a corrente de comércio (importação + exportação) do Brasil com o mundo, que está consolidada na balança comercial, cuja previsão para 2020 está em US$ 37 milhões de superávit. Mas, ao mesmo tempo com decréscimo de quase 27%  em relação ao mesmo período de 2019.

De acordo com a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), esse resultado deriva-se de queda das exportações. Alguns formadores de opinião mais céticos preveem uma retração ainda maior, cerca de 42, 2%.

Essa previsão é fundamentada em pesquisas que mostram quedas nas vendas externas (exportações), em torno de 3,2%. Em contrapartida, também demonstram um aumento das importações em torno de 6,5%.

Giro pelo mundo:

Esses números refletem o que poderá acontecer em 2020 por conta de ajustes no contexto internacional. Alguns fatores como, por exemplo, o acordo entre EUA X China, que por conta das eleições, poderá criar uma resolução comercial que afetará o Brasil. Isso tendo em vista que um dos pontos do acordo entre esses dois países deverá obrigar a China a comprar a soja americana no lugar da brasileira.

A Soja é um dos carros chefe das exportações de commodities brasileira, como também, um dos principais produtos de exportação para o mercado chinês. É necessário que tenhamos visão holística e estratégica. É necessário que o Brasil fique atento com relação a acordos internacionais bilaterais e multilaterais.

Por exemplo, a eleição americana indica que  o presidente Trump buscará fortalecer a agricultura americana e isso afetará a nossa exportação de soja. Por outro lado, a Argentina, um dos nossos principais parceiros na América Latina e do Mercosul, está em crise econômica e iniciando novo governo com possibilidade de tornar mais resistente o protecionismo do seu mercado interno.

O cenário europeu

No bloco europeu, a saída do Reino Unido ainda não foi definida, a Alemanha reduziu a taxa de crescimento de 1,5 para 1,1%. A França se encontra em crise gravíssima tem taxa de crescimento prevista pelo Fundo Monetário Internacional – FMI, em 1,4%.

Esse panorama envolvendo nossos principais parceiros comerciais mostram a necessidade de busca de novos mercados, necessidade de inovação e criação de nossos modelos de negócios internacionais e necessidade de empreender em novos mercado não tradicionais, sendo todas essas excelentes opções.

O cenário brasileiro

No Brasil, a reforma tributária seria vital para o desenvolvimento do país, as perspectivas são de preocupação e cautela, mas ao mesmo tempo de ousadia. Medidas de apoio aos setores industrial, de comércio e serviços tornam-se essenciais e visando a exportação são fundamentais.

A  agricultura possui maior representatividade na Balança e continua sendo a alavanca das exportações. Contudo, ela está sendo impactada de forma negativa. A Pecuária continua em alta em 2020, já apresentando resultados positivos nas exportações.

O panorama mundial é de retração e protecionismo, e isso não é bom. Porém, podemos apostar no planejamento estratégico na busca de novos mercados, e na adoção de uma postura de país empreendedor e inovador em 2020. Assim, será possível fazer uma diferença positiva no contexto internacional em 2021.

E no Amazonas ?

A balança comercial do Amazonas é deficitária, ou seja, o volume de importações é sempre maior que o volume de exportações. Isso quer dizer que compramos do mercado externo muito mais do que vendemos. Se olharmos para nosso estado como uma empresa, é como se não desse lucro.

Essa característica tem diversos motivos e abordaremos em outra matéria. Existem grandes dificuldades para exportação nos municípios pelos grandes e pequenos produtores. Para isso, a criação de soluções inteligentes e inovadoras que se adequem a necessidade real dos empreendedores locais estão em andamento.

As exportações e as importações do Amazonas

As exportações do Amazonas alcançaram a marca de US$ 79,88 milhões em novembro, o maior valor apurado em 2019. Isso representa um crescimento de 67,36% quando comparado com novembro de 2018. Ou um crescimento de 28,90% em relação a outubro de 2019. Isso segundo o levantamento da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação – Sedecti.

Entretanto, as importações do Amazonas registraram valores na ordem de US$ 902,032 milhões, o que equivale a 6,02% das importações totais do Brasil. Do total das exportações, os produtos com maior participação no mês foram Outras Preparações Alimentícias (concentrado para bebidas, entre outros) e Motocicletas, equivalentes respectivamente a 21,44% e 14,90%, que somados equiparam-se a 36,34% do volume.

Os dois maiores destinos (Argentina e Colômbia) corresponderam aproximadamente de 42,85% de todas as exportações. Os principais produtos importados foram insumos para o polo eletroeletrônico e de informática. Os dois principais países (China e Estados Unidos) do qual o Amazonas importa respondem por cerca de 47,17% de todas as importações realizadas pelo estado.

Diante dos acontecimentos do ano de 2019, que envolvem novos negócios e startups, percebemos como se tem investido em negócios sustentáveis na Amazônia. Essa tendência é visível como a preocupação da criação de negócios que atendam de fato a necessidade, gerem atrativos e oportunidades para o bionegócios conscientes, e que não tenham impacto negativo no meio ambiente e ainda agreguem valor, gerando renda e emprego.

Tendências para o Comércio Exterior

Bioeconomia

Bioeconomia é um modelo de produção industrial baseado no uso de recursos biológicos. O objetivo é oferecer soluções para a sustentabilidade dos sistemas de produção com vistas à substituição de recursos fósseis e não renováveis.

A biodiversidade pode virar negócio, comércio, produtos, exportação… tudo isso é, de fato, viável. Além disso, pode-se fazer tudo isso de maneira sustentável, com agregação de valor aos produtos e inserindo um selo amazônico. Aí, sim, poderíamos ganhar novos mercados, pois a vasta biodiversidade em nossa região é de suma importância.

No entanto, devemos nos apropriar disso com critérios, sendo sempre prudentes. Assim, por meio da bioeconomia e bionegócios, mantendo a floresta em pé, pode-se inovar sendo sustentável, pois o ecossistema local propicia um encadeamento de negócios.

Inovação e Low Tech

A inovação é uma das formas mais sustentáveis de desenvolvimento. Logo a inovação precisa está interligada a sustentabilidade em todos os processos. Algumas tendências para 2020 que englobam Tecnologia X Meio Ambiente:

  • Energias Renováveis;
  • Engenharia Reversa;
  • Agrotech;
  • Empreendimentos Sociais;
  • Bionegócios;
  • Agronegócios;
  • Fintechs;
  • Economia Criativa;
  • Economia Compartilhada;
  • Inteligência artificial;
  • Cosméticos naturais, dentre outros.

Um dessas tendências são seguem o modelos de startups (empresas não tradicional) e que tem uma chance maior de escalabilidade. No qual podem passar pelo processo de Internacionalização de startups e impulsionando a criação de novos negócios.

Assim, criando novas ideias e buscando resolver velhos problemas de forma enxuta e tecnológica. Para isso estamos aplicando uma alternativa adaptável para nossa região, trazendo o conceito e uso de Low Tech para os municípios.

A Low tech (baixa tecnologia), é uma tecnologia simples, muitas vezes de um tipo tradicional, ou, não-mecânica. Por exemplo, do tipo que os artesãos usam em Novo Airão.

A baixa tecnologia já é uma prática ribeirinha e seu uso interfere na cultura local de forma positiva e atrai o turismo.

Turismo como mola propulsora para o Exportação e para o Comércio Exterior

O turismo na nossa região, no ano passado, foi pauta de diversas discussões, apresentando um elemento com potencial valiosos para gerar emprego e renda para população. Isso porque o turismo é uma atividade que engloba vários setores como gastronomia, artesanato, cultura, história, belezas e patrocínios naturais, patrimônios construídos  belezas naturais.

O  Ecoturismo e o Turismo de Base Comunitária (TBC),  trabalhado sob o tripé da sustentabilidade, torna-se economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente correto, fazendo uma inclusão das comunidades de baixa renda no contexto social, incluindo os ribeirinhos, indígenas, quilombolas, venezuelanos e haitianos.

A escolha  da Amazônia, vem por  conta da experiência única. O turismo pode colaborar com as exportações a partir do momento que o turista vem conhecer e vivenciar a experiência amazônida. Assim, ele retorna e compartilha sua experiência com o mundo, seja através das redes sociais ou até comentando com amigos. Isso faz com que mais pessoas venham conhecer e até mesmo queiram consumir essa cultura em seu pais, gerando uma demanda.

Acesso a Novos Mercados

Necessário em função do panorama mundial de 2020 apostar em mercados não tradicionais. Assim, surge o mundo Árabe como excelente opção (Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Comores,  Djibouti, Egito,  Emirados Árabes UnidosIêmenIsrael, Jordânia, Líbano,  Líbia, MarrocosCatar, Saara Ocidental, dentre outros.

Esses países aparecem como um das grande apostas para importar  produtos amazônicos. Pois esses mercados têm interesse em produtos como cosméticos, produtos de higiene pessoal,  fármacos, vinagres, bebidas não alcoólicas e itens típicos da região, como fibras, peixes e o açaí, estão entre os com maior potencial para os negócios.

Olinda Marinho
Sou mestre em Turismo, Hotelaria e Planejamento Estratégico; possuo MBA em Comércio Internacional e Planejamento Estratégico; Administração em Comércio Exterior e Negociações Internacionais. Atualmente, dirijo e coordeno projetos focados em empreendedorismo da Amazônia. Sou presidente da Rede de Inovação e Empreendedorismo da Amazônia – RAMI, diretora da Marinho Soluções e Sistemas Integrados em Comércio Exterior, Scrumaster e Head de aceleração de times para estruturação e aceleração de startup. Também sou Membro da coordenação de CTI da FIEAM, Coordenadora do Núcleo PEIEX/APEX/AM/RR, diretora executiva da Aliança ABIO, coordenadora da Sub-Câmara de Empreendedorismo Jovem do CODESE, coordenadora do NAF-COMEX/SRFB – Região Norte. Ainda atuo como professora, mentora, palestrante futurista e agente de mudanças.

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