Avançou, mas poderia estar melhor. Essa é a principal análise que empregadores, especialistas em recursos humanos e executivos fazem ao examinar os impactos, no mercado de trabalho, dos vinte anos do decreto que criou a política nacional para a integração da pessoa com deficiência (PCD).

Mesmo com a medida, instituída em dezembro de 1999, ainda persistem problemas como a falta de profissionais qualificados para ocupar cargos de chefia e a demora na contratação. Em recrutadoras especializadas, o tempo médio para preencher uma vaga é de 45 dias, 15 a mais do prazo para candidatos em geral.

O último censo demográfico aponta que, em 2010, havia 8,9 milhões de brasileiros, entre 18 e 64 anos, considerados PCDs. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) mostram que, entre 2011 e 2017, o número de PCDs no mercado de trabalho passou de 325,2 mil para 441,3 mil – um acréscimo de pouco mais de 116 mil pessoas em seis anos.

Os mais escolarizados garantem a maior parcela das oportunidades de emprego. Dos 442 mil que estavam empregados, 301.879 ou 68% do total têm ensino médio ou superior concluído ou incompleto.

A política nacional para a integração da pessoa com deficiência já vinha de um reforço anterior, a lei 8.213/91, conhecida como Lei de Cotas. O texto prevê que firmas com mais de 100 funcionários tenham no quadro ao menos 2% de PCDs. O percentual aumenta de acordo com a quantidade de trabalhadores, chegando a 5% para grupos com mais de mil funcionários.

“Estima-se que a legislação abriu cerca de 800 mil vagas e pouco mais da metade ou 441 mil posições foram preenchidas, mesmo depois de 28 anos de vigência da norma”, diz Carolina Ignarra, sócia fundadora da Talento Incluir.

Fundada há onze anos, a consultoria já proporcionou a colocação para mais de seis mil PCDs e aplicou programas de inclusão em 300 empresas, como Bradesco e AccorHotels. No ano passado, recrutou 365 currículos para 36 grupos. Em 2019, até agosto, atendeu 46 companhias, um crescimento de 27% no volume de contratos ante o ano anterior. Desse total, onze clientes também investiram em consultorias, com iniciativas para estimular a cultura inclusiva.

“Os empregadores precisam aprender a reter esses talentos e misturar perfis diversos no mesmo ambiente de trabalho”, afirma Carolina. “O resultado trará benefícios como ganhos de competitividade, inovação e uma maior aproximação com os clientes.”

Fonte: Valor Investe

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