Os irmãos Guilherme (E), 14, e Arthur, 11, assistem a um vídeo no Youtube sobre o jogo Free Fire produzido pela equipe Loud, na casa deles no Rio de Janeiro - AFP

Mas a dupla não controla a aventureira que se move pelo cenário digital. Na verdade, assistem a um vídeo no Youtube, produzido pela equipe de jogadores profissionais da Loud, cujo canal sobre “games mobile” (jogos para dispositivos móveis como tablets e, principalmente, smartphones) teve destaque no Youtube Review 2019, retrospectiva sobre o conteúdo mais relevante publicado na plataforma de vídeos do Google.

Por trás das milhões de visualizações registradas por esses vídeos está a crescente indústria de game mobile.

Em 2019, o setor movimentou no mundo cerca de US$ 68,5 bilhões, 45% da receita total do mercado de jogos eletrônicos, segundo a pesquisa Global Games Market, realizada pela Newzoo, empresa de análises do setor.

No panorama mundial, o Brasil é o 13º maior consumidor de “games mobile” e lidera entre os sul-americanos, com US$ 1,6 bilhão movimentados no ano passado.

– Preferência nacional –

O sucesso do mobile no país se confirma pela Pesquisa Game Brasil (PGB) 2019, com 3.200 usuários. A PGB, que traça o perfil dos consumidores jogos digitais, mostra que entre os cerca de 75 milhões brasileiros que gostam de games, a preferência é pelas plataformas móveis.

“É muito mais fácil para uma pessoa ter um celular do que comprar um videogame de console. Além disso, enquanto um jogo para console custa em média 100 reais, muitos jogos mobile são gratuitos e têm uma ‘cara’ (definição gráfica) de jogos de console”, explica Diego Borges, jornalista especializado em e-Sports (jogos eletrônicos de competição).

A qualidade visual se deve também à participação de gigantes dos videogames de console, como Nintendo e Epic Games, que visam um mercado que deve movimentar em 2022 mais de 95 bilhões de dólares no mundo.

Parte deste faturamento é gerado pela venda recursos para melhorar a forma de jogar e de anúncios veiculados em games baixados gratuitamente.

“O consumo só não é maior no Brasil por conta do alto valor dos planos de acesso à internet, já que muitos desses jogos necessitam de conexão à web para interagir com outros usuários que estão ‘on-line’”, acrescenta Borges.

– ‘Gameplays’, sucesso no Youtube

Outro sinal dessa preferência no Brasil é a quantidade de canais no Youtube sobre ‘gameplays’, vídeos em que um jogador grava sua performance durante uma partida.

Um dos pioneiros e referência nesta área no país é Bruno ‘Playhard’, influenciador digital que possui um canal na plataforma de vídeos do Google com mais de 10 milhões de inscritos e cerca de 1.700 vídeos produzidos com 1 bilhão de visualizações.

“Eu sempre gostei de videogame, principalmente de jogos para celular. Quando criei meu canal em 2014, percebi que os vídeos com mais ‘views’ (visualizações) eram aqueles com dicas e análises sobre ‘games mobile’”, diz à AFP o jovem de 25 anos, que já participou de ações de promoção com a estrela do futebol Neymar.

Tendo em vista a ampliação dessa área, ‘Playhard’ fundou em fevereiro do ano passado, com o empresário Jean Ortega, a Loud, uma equipe que participa de competições nacionais e internacionais de ‘Free Fire’, o jogo mobile mais baixado do mundo em 2019.

Esses torneios chegam a distribuir até US$ 100 mil em prêmios, como a Free Fire World Cup, realizada em abril passado em Bangcoc, Tailândia.

A Loud também produz conteúdo para redes sociais, principalmente para a plataforma de vídeos do Google, que colocou a organização em primeiro lugar na categoria Novos Criadores do ‘Youtube Review de 2019’, por ter conquistado em pouco tempo 3,4 milhões de inscritos no canal (já passam de 4 milhões).

Das 12 pessoas que integram a equipe, entre jogadores profissionais e influenciadores, Bárbara ‘Babi’ Passos, de 21 anos, é a protagonista do vídeo que os irmãos Guilherme e Arthur assistem.

Campeã mundial de Free Fire em Bangcoc, ao lado da companheira de time Carolina “Voltan”, a jovem aparece também “Youtube Review 2019” por ter conquistado 1,7 milhão de inscritos no seu canal.

– Estrutura profissional –

Para conciliar os treinos e a gravação diária de vídeos, todos os integrantes da Loud moram numa mansão na cidade de São Paulo, onde contam com o auxílio de profissionais das áreas de produção audiovisual e de conteúdo para redes sociais, além de apoio psicológico e “coachs de performance”.

“Escolhemos os integrantes da equipe não só pela qualidade como jogadores, mas como pessoas capazes de contar e criar histórias nas redes sociais (como Instagram e Twitter)”, explica ‘Playhard’.

“A ideia não é só mostrar o pessoal morando junto na casa, treinando ou se divertindo lá dentro. Queremos contar boas histórias, inclusive através de clipes musicais, que cativem o público”, destaca o dono da equipe.

Se considerar a atenção que despertou nos irmãos Guilherme e Arthur, o influenciador digital pode apostar que está no caminho certo.

Fonte: Isto É Dinheiro

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